Elevação das taxas em dezembro de 2025 impacta preços e gera perdas para resgates antecipados
No início de dezembro de 2025, o Tesouro Direto registrou uma forte elevação nas taxas oferecidas, especialmente nos títulos de vencimento mais longo, cenário que impactou diretamente o preço unitário desses papéis.
Esse movimento, observado principalmente nos títulos preferidos por investidores de renda fixa que buscam ganhos com marcação a mercado, resultou em perdas expressivas para quem precisou resgatar antes do vencimento. Só na virada do mês, a desvalorização chegou a quase -3% em alguns ativos.
Quando as taxas de juros sobem, o valor de mercado dos títulos públicos cai. Isso ocorre porque novos investidores exigem uma remuneração maior para aplicar seu dinheiro, tornando os títulos antigos, com taxas menores, menos atrativos. O prejuízo, no entanto, só se concretiza para quem vende antes do prazo final. Para quem mantém o papel até o vencimento, o rendimento contratado permanece garantido.
Um exemplo prático é o Tesouro Renda+ 2065, cuja remuneração saltou de IPCA+ 6,77% ao ano em 28 de novembro para IPCA+ 6,83% ao ano no início de dezembro. Em contrapartida, o preço unitário do título caiu de R$ 200,53 para R$ 195,40, uma queda de -2,66%. O Tesouro IPCA+ 2050 também sofreu: seu preço unitário recuou de R$ 914,62 para R$ 902,39, acumulando perda de -1,66%.
Apesar desse repique nas taxas, a tendência de médio prazo aponta para queda dos rendimentos, acompanhando a expectativa de cortes na taxa Selic (SELIC) ao longo de 2026. Esse cenário tende a beneficiar investidores posicionados em títulos indexados à inflação (IPCA (IPCA)) de longo prazo, que podem capturar ganhos relevantes caso o ciclo de redução dos juros se confirme.
Na tarde de 24 de novembro de 2025, os preços e rentabilidades dos principais títulos públicos no Tesouro Direto eram os seguintes:
Títulos prefixados ofereciam rentabilidades anuais entre 12,82% e 13,39%, com aportes mínimos acessíveis. Já os pós-fixados, atrelados à Selic (SELIC), apresentavam taxas adicionais modestas, refletindo o ambiente de juros elevados. Os títulos indexados à inflação, por sua vez, remuneravam entre IPCA (IPCA)+ 6,84% e IPCA (IPCA)+ 7,77% ao ano, com opções de pagamentos semestrais de juros para quem busca fluxo de caixa recorrente.
Para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou custeio de estudos, os papéis das séries Renda+ e Educa+ ofereciam rentabilidades próximas de IPCA (IPCA)+ 6,82% a IPCA (IPCA)+ 7,98% ao ano, com aportes mínimos bastante baixos, democratizando o acesso ao investimento público.
Diante desse cenário, o investidor atento deve monitorar não apenas as taxas nominais, mas também o comportamento dos preços dos títulos e as perspectivas para a política monetária. Estratégias bem calibradas podem transformar oscilações de curto prazo em oportunidades de ganho no médio e longo prazo.
Para quem deseja analisar o histórico de preços e rentabilidades dos títulos públicos, a ferramenta de Histórico PL Ibovespa da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada da evolução dos ativos, auxiliando na tomada de decisão fundamentada.