Conflito global pressiona mercados, Petrobras e CSN se destacam; dólar e juros sob atenção
A escalada das tensões no Oriente Médio e o impacto no Ibovespa
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a dominar o cenário dos mercados financeiros nesta quarta-feira, impactando diretamente o Ibovespa (IBOV), que encerrou o pregão em queda de 0,93%, aos 185.629,04 pontos. O movimento reflete a aversão global ao risco diante da disparada do petróleo Brent, que ultrapassou a marca de US$ 101 o barril, maior patamar desde julho, reacendendo temores inflacionários e expectativas de juros mais altos no mundo todo. O dólar também reagiu, fechando em alta de 0,52%, cotado a R$ 5,11.
Contexto internacional e impacto no mercado
O agravamento do conflito no Oriente Médio, com troca de ataques entre Estados Unidos e Irã e ofensiva dos houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita, elevou a volatilidade dos mercados. O petróleo Brent para novembro fechou acima de US$ 101, impulsionando setores de energia e commodities, mas pressionando o restante do mercado devido ao risco de inflação global. A alta da commodity reforçou a percepção de que bancos centrais podem ser forçados a manter juros elevados por mais tempo, o que impacta negativamente ativos de risco.
No Brasil, a resposta do governo à escalada dos preços internacionais veio com o anúncio da redução do PIS/Cofins sobre a gasolina e a zeragem da tributação do etanol, medida que busca aliviar o impacto imediato no bolso do consumidor, mas que preocupa analistas quanto ao efeito fiscal futuro. O mercado já projeta um alívio de curtíssimo prazo no IPCA (IPCA) de setembro, mas com pressão adicional sobre as contas públicas no horizonte.
Crise institucional e cenário político
O ambiente político também contribuiu para a cautela dos investidores. O Supremo Tribunal Federal viveu mais um capítulo de instabilidade, com decisões conflitantes entre os ministros Flávio Dino, André Mendonça e Edson Fachin sobre a direção da Polícia Federal. No campo eleitoral, pesquisa do instituto Meio/Ideia apontou empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, sinalizando um cenário de polarização e incerteza para 2026.
Setores e empresas: quem ganhou e quem perdeu
O setor bancário foi o mais penalizado do dia, com o Índice Financeiro (IFNC) recuando 2,08%, pressionado tanto pelo ambiente de incerteza quanto pela continuidade das investigações sobre o Banco Master. Entre as blue chips, a Vale registrou leve alta de 0,10%, enquanto a Petrobras avançou em linha com o petróleo, com PETR3 subindo 0,85% e PETR4, 0,69%, sendo destaque em volume negociado.
No lado positivo, a CSN disparou 7,40% após o BTG Pactual revisar sua recomendação para compra, projetando potencial de valorização de 57,2% diante da chegada de Fabio Schvartsman ao comando da companhia e perspectivas de reestruturação financeira. Já a construtora Tenda liderou as perdas, caindo 6,03% após a efetivação de seu novo diretor-presidente, em meio ao processo de transição de liderança.
Mercados globais em compasso de espera
No exterior, Wall Street registrou sua segunda sessão consecutiva de queda, pressionada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pela alta do petróleo. O Dow Jones caiu 0,77%, o S&P 500 recuou 0,48% e o Nasdaq cedeu 0,64%. Na Europa, o Stoxx 600 caiu 1,41% na véspera da decisão de juros do BCE, enquanto na Ásia, Nikkei e Hang Seng também fecharam em baixa, refletindo o clima de cautela global.
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