Empresa foca em rentabilidade, proteção cambial e diversificação para enfrentar alta dos insumos
A SLC Agrícola (SLCE3) apresentou nesta quarta-feira (7) suas projeções para a safra 2026/27, destacando uma estratégia de expansão seletiva da área plantada e um cenário de custos de produção mais elevados, fortemente atrelados ao dólar.
Segundo a companhia, 57% dos custos de produção estão indexados à moeda americana, o que reforça a importância do câmbio para o planejamento financeiro do agronegócio brasileiro.
Expansão com foco em rentabilidade
A empresa projeta cultivar 854,4 mil hectares no próximo ciclo, um aumento de 2,2% em relação à safra anterior. O custo médio de produção por hectare também deve subir 2,2%, atingindo R$ 7.217. Esse crescimento reflete uma postura estratégica: a SLC Agrícola (SLCE3) busca ampliar sua presença, mas com ajustes no mix de culturas para priorizar lavouras mais rentáveis e garantir a sustentabilidade do negócio.
O algodão de segunda safra irrigado surge como principal vetor de expansão, impulsionado pela ampliação das áreas irrigadas. A redistribuição do portfólio de culturas visa maximizar a rentabilidade sem abrir mão da rotação de lavouras, fundamental para a saúde do solo e a produtividade de longo prazo. A soja permanece como carro-chefe, ocupando 442,1 mil hectares (alta de 2,9%), o que representa 51,7% da área total. O algodão alcançará 200,4 mil hectares, com destaque para o avanço de 12,2% na segunda safra irrigada, enquanto o milho de segunda safra terá leve recuo de 2,3%.
Custos pressionados pelo dólar e fertilizantes
O aumento dos custos para a safra 2026/27 é atribuído principalmente à alta dos fertilizantes cotados em dólar e a uma inflação projetada de 4%. Apesar disso, a queda dos preços dos defensivos em dólar e a valorização do real frente à moeda americana ajudaram a mitigar parte desse impacto. A SLC adotou uma taxa de câmbio de R$ 5,20 por dólar no orçamento, inferior aos R$ 5,45 do ciclo anterior, o que contribui para aliviar a pressão sobre os insumos importados.
Entre as culturas, o milho de segunda safra terá o maior aumento de custo por hectare (3,8%), seguido pela soja (2,1%) e pelo algodão (1,8% na primeira safra e 1,9% na segunda). Para garantir uma comparação precisa entre os ciclos, a empresa utilizou as áreas projetadas para 2026/27 como base de ponderação, eliminando distorções causadas por mudanças no mix de culturas.
Produtividade e proteção de preços
As projeções de produtividade são otimistas: a SLC espera colher 4.080 quilos de soja por hectare (alta de 1,1%) e 7.957 quilos de milho de segunda safra por hectare (aumento de 2,8%). Para mitigar riscos de volatilidade de preços, a companhia já protegeu 52,9% da soja e 62,2% do algodão da safra 2026/27 por meio de hedge, garantindo maior previsibilidade aos resultados. No milho, a proteção é mais modesta, cobrindo apenas 6,3% da produção.
A proteção cambial também avança: 23,8% da exposição da soja, 23% do algodão e 6,3% do milho já estão cobertos por contratos de hedge em dólar, reduzindo a vulnerabilidade às oscilações cambiais.
Diversificação além das lavouras
Além das culturas tradicionais, a SLC projeta para 2027 a venda de 112,5 mil cabeças de gado e a produção de 86.280 big bags de sementes, reforçando a diversificação do portfólio e a busca por novas fontes de receita.
Análise e perspectivas
O planejamento da SLC Agrícola para a safra 2026/27 revela uma empresa atenta aos desafios do cenário macroeconômico, especialmente à volatilidade cambial e à pressão dos custos de insumos. A estratégia de expansão seletiva, aliada à proteção de preços e câmbio, demonstra maturidade na gestão de riscos e foco em rentabilidade sustentável.
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