Reajuste de 6,79% beneficia 61,9 milhões de brasileiros, mas valor ideal é cinco vezes maior
O salário-mínimo nacional em 2026 passará a ser de R$ 1.621, estabelecendo um novo patamar para o poder de compra do trabalhador brasileiro. O reajuste, que entra em vigor a partir da próxima quinta-feira, representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao piso anterior, o que significa um acréscimo de R$ 103 para quem recebe o mínimo. Apesar desse avanço, o valor ainda está longe de atender plenamente às necessidades básicas das famílias brasileiras. Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro de 2025 — mais de cinco vezes o novo piso oficial.
Como o novo valor de R$ 1.621 foi definido
O reajuste do salário-mínimo seguiu as diretrizes da Lei 14.663/2023, mas trouxe uma particularidade para 2026: o arcabouço fiscal limitou o crescimento real das despesas da União a 2,5%. Assim, o cálculo considerou dois indicadores principais. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulou alta de 4,18%, sendo aplicado integralmente para repor a inflação. Já o PIB (Produto Interno Bruto) registrou crescimento de 3,4%, mas, devido à regra fiscal, apenas 2,5% foram incorporados ao reajuste.
O impacto do mínimo na economia nacional
Mesmo diante de discussões sobre o poder de compra, a elevação do salário-mínimo tem efeito relevante na dinâmica econômica do país. O DIEESE projeta que o reajuste deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026, impulsionando o consumo das famílias e, por consequência, a arrecadação de tributos. O novo piso impacta diretamente 61,9 milhões de brasileiros, incluindo 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do INSS e 17,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
A conta do DIEESE e o custo de vida
O cálculo do salário-mínimo "necessário" realizado pelo DIEESE segue critérios constitucionais, levando em conta despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. Desde 1994, o valor considerado ideal pelo órgão sempre superou o dobro do mínimo oficial. Para quem recebe o novo piso a partir de janeiro, o rendimento médio será de R$ 54,04 por dia trabalhado, evidenciando o desafio de equilibrar orçamento familiar e qualidade de vida.
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