Banco mantém projeção positiva, mas adota postura neutra diante da volatilidade dos preços do minério e dividendos
A recente valorização das ações da Vale (VALE3) na B3, que ultrapassou 30% em 2025 e manteve o ritmo positivo no início de 2026, acendeu um sinal de alerta entre analistas do mercado financeiro.
O movimento foi impulsionado principalmente pela alta dos preços do minério de ferro e do níquel, dois pilares fundamentais para o desempenho da mineradora. No entanto, o banco Safra decidiu revisar sua recomendação para os papéis da companhia, retirando o selo de "compra" após o forte rali.
Contexto de mercado e fundamentos
O Safra destaca que, embora o setor de mineração tenha apresentado resultados expressivos no último ano, a Vale (VALE3) superou não apenas seus pares, mas também os próprios preços das commodities, atingindo patamares inéditos. Essa disparada, segundo os analistas, pode não se sustentar caso haja uma correção nos preços do minério de ferro, que já operam acima do esperado. O banco projeta uma queda do minério de ferro de US$ 111 para US$ 94 por tonelada até o final de 2026, mesmo considerando algum crescimento residual nos próximos meses. Diante desse cenário, a instituição adota uma postura mais construtiva em relação a metais como cobre e níquel, favorecendo outras empresas do setor.
Dividendos e política de capital
Outro ponto de atenção é a política de distribuição de dividendos da Vale. O Safra não espera anúncios de dividendos extraordinários até pelo menos meados de 2027, a menos que haja mudanças significativas nas metas de endividamento da companhia. Em 2025, a mineradora aprovou R$ 15,3 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, antecipando-se à nova taxação sobre proventos no Brasil. A empresa já havia sinalizado que a distribuição de proventos extraordinários depende do nível de endividamento e dos preços do minério de ferro, além de considerar a possibilidade de reforçar programas de recompra de ações diante do novo cenário tributário.
Revisão de projeções e reação do mercado
Apesar da cautela, o Safra elevou o preço-alvo das ações da Vale de R$ 71 para R$ 86, sugerindo ainda um potencial de valorização de 13,7% em relação ao último fechamento. As projeções para o Ebitda também foram revisadas para cima, refletindo expectativas de preços mais robustos e melhor desempenho operacional, especialmente em metais estratégicos para a transição energética. Ainda assim, a recomendação foi ajustada para neutra, após uma valorização acumulada de cerca de 52% desde fevereiro de 2025.
No pregão, as ações da Vale oscilaram, chegando a R$ 77 antes de recuarem para R$ 75,06, pressionadas tanto pelo relatório do Safra quanto por notícias de movimentações estratégicas no setor global, como a possível aquisição da Glencore pela Rio Tinto. Enquanto isso, outras casas de análise mantêm visões divergentes: XP segue neutra, enquanto BTG Pactual e Genial Investimentos reiteram recomendação de compra, destacando o potencial do níquel.
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