Dois conselheiros deixam cargos após denúncias envolvendo fundo Borneo e operações com Banco Master
Contexto das renúncias e investigações
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta um momento delicado em sua governança, após a renúncia imediata de dois integrantes do conselho fiscal nesta sexta-feira (13). Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, respectivamente membro titular e suplente, deixaram seus cargos em meio a um contexto de investigação e questionamentos sobre indicações ligadas ao fundo Borneo, administrado pela Reag Investimentos, e ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
A saída dos conselheiros ocorre em um cenário de crescente escrutínio regulatório. Os nomes dos advogados foram associados ao fundo Borneo, que está sob investigação por operações envolvendo o Banco Master. Em nota oficial, ambos negaram qualquer vínculo ou conhecimento prévio sobre o fundo, reforçando que só tomaram ciência da suposta indicação após a divulgação de fato relevante pelo BRB no dia 11. A ata da assembleia que os elegeu, em março de 2025, já mencionava a indicação atribuída ao fundo, posteriormente confirmada publicamente pela própria gestora.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo sigiloso para apurar as indicações, envolvendo também o governador Ibaneis Rocha e sua chefe de gabinete. O BRB, por sua vez, reiterou em comunicado seu compromisso com a ética, transparência e responsabilidade, prometendo manter o mercado informado sobre quaisquer desdobramentos relevantes.
Operações com o Banco Master sob suspeita
O pano de fundo dessas turbulências é a série de operações entre o BRB e o Banco Master. Em 2024, o BRB iniciou a compra de carteiras do Master, mas investigações da Polícia Federal apontam indícios de créditos inexistentes que somam R$ 12,2 bilhões adquiridos entre janeiro e junho de 2025. A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, formalizada em março, foi barrada pelo Banco Central em setembro, ampliando as incertezas sobre a governança e os riscos envolvidos.
A Polícia Federal investiga possíveis fraudes nessas operações. O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso por dez dias, enquanto o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e também é alvo das apurações. Vale destacar que, embora o conselho fiscal do BRB não delibere diretamente sobre negócios do banco, cabe a ele fiscalizar atos da gestão e analisar demonstrações contábeis. As operações com o Master foram aprovadas pela diretoria e não sofreram questionamentos do colegiado.
Análise e perspectivas para o mercado
O episódio evidencia os desafios de governança enfrentados por instituições financeiras públicas e privadas no Brasil, especialmente diante de operações de grande porte e complexidade. A atuação dos órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central, será determinante para restaurar a confiança do mercado e garantir a transparência dos processos. Investidores e analistas devem acompanhar de perto os desdobramentos, atentos ao impacto potencial sobre a reputação e a solidez do BRB.
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