Exposição da Casas Bahia impacta FIIs logísticos e de shoppings, gerando perdas de até 10% nas cotas
A recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) desencadeou uma onda de incertezas que ultrapassa os limites da própria varejista, atingindo em cheio o mercado de fundos imobiliários. Nesta terça-feira (18), as perdas de alguns FIIs chegaram a quase 10%, refletindo o temor dos investidores quanto à exposição desses fundos à rede varejista, especialmente nos segmentos logístico e de shopping centers.
Impacto direto nos fundos logísticos
O caso do HSI Logística (HSLG11) ilustra bem o tamanho do desafio. Segundo relatório da Empiricus Research, a Casas Bahia representa cerca de 31% da receita contratada do fundo, tornando-se o principal locatário e, consequentemente, o maior risco de crédito da carteira. Após o anúncio da recuperação judicial, as cotas do HSLG11 recuaram mais de 5% na segunda-feira (17) e ampliaram a queda para quase 10% no pregão seguinte. Apesar de o fundo manter vacância física zerada, inadimplência líquida de 0% e distribuição mensal estável, a concentração em um único locatário em crise acendeu o sinal de alerta entre analistas e investidores.
A Empiricus adota uma postura conservadora diante do cenário, destacando que, embora o fundo esteja descontado, a elevada exposição à Casas Bahia reduz a atratividade do investimento neste momento. Por outro lado, os imóveis ocupados pela varejista estão localizados em regiões estratégicas, próximas a grandes centros consumidores, o que pode facilitar a recolocação dos espaços caso haja necessidade de substituição do locatário. A gestão do fundo já trabalha para diluir esse risco, buscando novas sublocações em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), o que pode reduzir a participação da Casas Bahia na receita do fundo para cerca de 19%.
Exposição marginal nos shoppings
No segmento de shopping centers, o impacto tende a ser mais limitado. Segundo análise do Citi, a Allos (ALOS3) é a administradora mais exposta, com 19 lojas da Casas Bahia em seus empreendimentos. Já Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3) possuem apenas uma unidade da varejista cada, o que minimiza o risco para essas companhias. O banco avalia que, apesar da presença relevante da Allos, o efeito da recuperação judicial da Casas Bahia deve ser marginal para o setor, sem comprometer significativamente os níveis de ocupação ou a receita de aluguel.
Análise e perspectivas
O episódio evidencia a importância de uma análise criteriosa da concentração de receitas em fundos imobiliários, especialmente em momentos de turbulência no varejo. Para investidores atentos, monitorar a exposição dos FIIs a grandes locatários e acompanhar as estratégias de diversificação das gestoras torna-se fundamental para mitigar riscos e identificar oportunidades em meio à volatilidade do mercado.
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