Gestora enfrenta queda de 60% nas ações e busca reestruturação com nova controladora
Sob nova direção e em meio a um cenário de reestruturação, a gestora de investimentos que antes atendia pelo nome de Reag (REAG3) anunciou nesta sexta-feira (21) sua mudança de identidade para Arandu Investimentos. A decisão, aprovada em assembleia de acionistas, marca uma tentativa clara de virar a página após meses de turbulência e polêmicas que abalaram a reputação da companhia.
Contexto da Mudança: Nova Controladora e Estratégia de Imagem
A transformação ocorre após a aquisição do controle da gestora pela Arandu Partners Holding, formada pelos principais executivos da antiga Reag. O negócio, fechado em setembro com o fundador João Carlos Mansur, envolveu um pagamento de cerca de R$ 100 milhões e um acordo de repasse mensal de 5% da receita líquida da gestora por cinco anos. O objetivo declarado foi proteger a integridade e a governança da empresa, especialmente após a gestora ter sido alvo de uma megaoperação policial que investigou o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Impacto das Investigações e Reação do Mercado
A operação, deflagrada em agosto, expôs a participação de fundos geridos pela então Reag em esquemas de ocultação de recursos provenientes de adulteração de combustíveis e evasão fiscal. Desde então, as ações da companhia acumulam queda superior a 60%, refletindo a desconfiança do mercado e o abalo na confiança dos investidores. No fechamento do pregão desta sexta-feira, os papéis da gestora registraram nova baixa, cotados a R$ 1,48, com recuo de 10,30%.
Processo de Saída da Bolsa e Oferta Pública de Aquisição
Apesar da nova marca já estar em vigor no site de Relações com Investidores, a companhia ainda não alterou o ticker REAG3 na B3. Isso porque a Arandu Partners Holding protocolou um pedido de OPA (Oferta Pública de Aquisição) junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), visando cancelar o registro da empresa e promover sua saída do Novo Mercado da bolsa. A holding, que já detém 87,38% do capital, propõe adquirir as ações remanescentes pelo mesmo valor negociado com o fundador: R$ 1,00 por ação à vista ou um pagamento estruturado que inclui parcelas mensais atreladas à receita líquida e um valor adicional a ser pago em cinco anos.
Análise e Perspectivas para Acionistas
A proposta de OPA oferece aos minoritários duas alternativas: liquidez imediata ou participação em um fluxo de pagamentos futuros, que pode ser interessante para quem acredita na recuperação da gestora sob nova administração. No entanto, o histórico recente de perdas e a incerteza quanto à reestruturação sugerem cautela. O movimento de saída da bolsa é visto como uma tentativa de blindar a empresa de novas oscilações e reconstruir sua imagem longe dos holofotes do mercado aberto.
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