Impactos climáticos e venda de ativos reduzem volume processado, mas ATR melhora para 143 kg/tonelada
A Raízen (RAIZ4) enfrenta um cenário desafiador no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, com uma queda expressiva de 23% na moagem de cana-de-açúcar em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
O volume processado recuou para 10,6 milhões de toneladas, frente às 13,8 milhões de toneladas registradas anteriormente, conforme prévia operacional divulgada ao mercado.
Contexto e fatores de impacto
O desempenho negativo reflete uma combinação de adversidades climáticas e estratégicas. A safra 2024/25 foi marcada por uma entressafra mais seca, agravada por queimadas no segundo semestre e geadas que atingiram regiões produtoras no início do novo ciclo. Esses eventos climáticos comprometeram a produtividade dos canaviais e limitaram a oferta de matéria-prima.
Além disso, a Raízen (RAIZ4) realizou a venda de cerca de 2 milhões de toneladas de cana, como parte de um processo de otimização e desinvestimento de ativos, o que também contribuiu para a redução do volume total processado. No acumulado dos nove meses do ano-safra, a moagem atingiu 70,3 milhões de toneladas, abaixo das 77,5 milhões do mesmo intervalo anterior.
Desempenho operacional e mix de produção
Apesar do cenário adverso, a companhia conseguiu elevar o ATR (Açúcar Total Recuperável) para 143 kg por tonelada, superando os 137 kg do terceiro trimestre do ciclo passado. O mix de produção manteve-se estável, com 44% destinado ao açúcar e 56% ao etanol, refletindo a estratégia de diversificação da Raízen diante das oscilações do mercado.
A menor disponibilidade de cana impactou diretamente os volumes produzidos e comercializados. As vendas de etanol próprio somaram 778 mil metros cúbicos, enquanto o açúcar próprio comercializado alcançou 1,328 milhão de toneladas. Já a cogeração de energia, dependente do bagaço da cana, totalizou 364 mil MWh, também afetada pela menor oferta de matéria-prima.
Perspectivas e próximos passos
O mercado aguarda com atenção a divulgação dos resultados completos do ano-safra 2025/26, prevista para 12 de fevereiro. A expectativa é de que a companhia detalhe as estratégias para mitigar os impactos climáticos e operacionais, além de possíveis ajustes no portfólio de ativos.
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