Prejuízo de R$ 15,65 bi no 3º tri e endividamento elevado geram incertezas no mercado
Aumenta a pressão sobre a Raízen: prejuízo bilionário e busca por reestruturação financeira
Contexto e números preocupantes
A Raízen (RAIZ4) , uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país, divulgou nesta quinta-feira (12) resultados que acenderam um alerta vermelho no mercado financeiro. O prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 representa um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o rombo foi de R$ 2,57 bilhões. Com isso, a companhia acumula perdas de R$ 19,8 bilhões na safra e passa a registrar patrimônio líquido negativo de R$ 1,1 bilhão, cenário que intensifica as dúvidas sobre sua saúde financeira e capacidade de continuidade operacional.
Auditoria e reação da empresa
A gravidade da situação foi destacada pela auditoria independente EY, que apontou incertezas relevantes quanto à continuidade operacional da Raízen. Em resposta, a administração da companhia buscou tranquilizar o mercado, atribuindo o resultado negativo a efeitos pontuais e reforçando o compromisso dos controladores em apoiar uma solução definitiva para o reequilíbrio financeiro. A contratação de assessores financeiros e jurídicos nesta semana sinaliza que a empresa está avaliando alternativas estruturais para garantir sua viabilidade e competitividade no longo prazo. No entanto, a medida também elevou o temor de uma reestruturação mais profunda, especialmente após a perda do grau de investimento nas três principais agências de rating globais.
Impactos no balanço e explicações
Segundo a própria Raízen, o resultado do trimestre foi fortemente impactado por efeitos não recorrentes, em especial um impairment de R$ 11,1 bilhões relacionado à deterioração das condições de crédito. A administração ressalta que essas provisões não afetam o caixa e podem ser revertidas caso o ambiente macroeconômico melhore e a estrutura de capital seja ajustada. Ainda assim, mesmo desconsiderando esses efeitos, o prejuízo teria sido de R$ 4,5 bilhões, quase o dobro do registrado em trimestres anteriores, pressionado por menor desempenho operacional, venda de ativos e aumento da depreciação.
Ebitda ajustado e desconfiança do mercado
O Ebitda ajustado, indicador fundamental para análise operacional, recuou 3,3% no comparativo anual, atingindo R$ 3,15 bilhões. Apesar de sugerir certa resiliência operacional, o dado foi recebido com cautela, já que, sem ajustes, o Ebitda teria sido negativo em R$ 4,4 bilhões, revertendo o resultado positivo de R$ 2,5 bilhões do ano anterior. A queda nos volumes de etanol, nos preços do açúcar e nos ganhos com contratos de energia pesaram sobre o desempenho, parcialmente compensados por avanços na distribuição de combustíveis e ganhos de eficiência administrativa.
Endividamento em alta e perspectivas
Outro ponto de atenção é o endividamento crescente. A dívida líquida da Raízen chegou a R$ 55,3 bilhões, com alavancagem de 5,3 vezes, um aumento de 43,4% em relação ao ano anterior. O crescimento se deve à substituição de dívidas de curto prazo por instrumentos de longo prazo, aumento das despesas financeiras e maior consumo de capital de giro. A empresa espera receber R$ 1,5 bilhão em breve, fruto de desinvestimentos já anunciados, o que pode aliviar parte da pressão.
Visão do mercado e desafios à frente
Analistas do setor avaliam que o balanço da Raízen traz mais perguntas do que respostas, especialmente diante do grande volume de ajustes e da falta de clareza sobre o plano de reestruturação. Por outro lado, reconhecem avanços operacionais, sobretudo na distribuição de combustíveis, com redução de custos e ganhos de rentabilidade. O desafio agora é reconquistar a confiança do mercado e mostrar capacidade de recuperação sustentável.
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