Investimentos arriscados em Banco Master agravam déficit e abalam confiança dos servidores públicos do RJ
A prisão do ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, nesta terça-feira (3), lança luz sobre uma das mais delicadas crises do sistema previdenciário estadual do Rio de Janeiro.
A autarquia, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a mais de 230 mil servidores públicos, enfrenta agora não apenas um rombo bilionário, mas também o impacto de decisões de investimento que colocam em xeque a governança e a segurança dos recursos públicos.
Contexto da Prisão e da Investigação
Deivis Marcon Antunes foi detido pela Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia, no Sul Fluminense, enquanto se dirigia à capital do estado. O ex-presidente da Rioprevidência já tinha um mandado de prisão em aberto desde o mês anterior, mas estava fora do país, nos Estados Unidos. Ao retornar ao Brasil, foi inicialmente abordado pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, que reteve seus celulares, mas permitiu que ele seguisse viagem. A prisão ocorreu durante o trajeto ao Rio de Janeiro, após ser interceptado pela PRF e encaminhado à delegacia de Volta Redonda.
O cerne da investigação envolve a aplicação de quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que foi posteriormente liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central. Segundo a Polícia Federal, as operações suspeitas ocorreram entre novembro de 2023 e julho de 2024, totalizando cerca de R$ 970 milhões em recursos da Rioprevidência investidos em ativos que não atendiam aos critérios para ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Impacto para o Fundo e para os Servidores
A liquidação do Banco Master deixou a Rioprevidência entre os maiores prejudicados, agravando ainda mais o déficit do fundo, que já pode chegar a R$ 20 bilhões. O episódio evidencia não apenas falhas de gestão, mas também a vulnerabilidade dos regimes próprios de previdência social frente a decisões arriscadas e à falta de mecanismos de proteção efetiva para grandes investidores institucionais.
A trajetória de Deivis Marcon Antunes, advogado especializado em direito previdenciário, inclui passagens por outras entidades do setor, como a Caixa de Previdência do Banco do Brasil. Apesar de afastado judicialmente, a Rioprevidência informou que ele estava em férias previamente programadas, destacando a complexidade do caso e a necessidade de respostas institucionais rápidas para restaurar a confiança dos servidores e da sociedade.
Análise e Perspectivas
O caso Rioprevidência serve de alerta para gestores públicos e investidores institucionais sobre a importância de critérios rigorosos de governança, transparência e avaliação de risco em operações financeiras. A ausência de cobertura do FGC para grandes volumes investidos em Letras Financeiras expõe fundos de pensão a perdas irreparáveis, reforçando a necessidade de políticas mais robustas de proteção e fiscalização.
Para o mercado, o episódio reforça a atenção sobre a saúde financeira dos regimes próprios de previdência e a urgência de reformas estruturais que garantam sustentabilidade e segurança aos beneficiários. O desfecho das investigações e as medidas adotadas pelo governo do Rio de Janeiro serão determinantes para o futuro da Rioprevidência e para a confiança no sistema previdenciário estadual.
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