Brent e WTI registram altas mensais acima de 20% em meio a riscos geopolíticos e escassez para refinarias
Os preços do petróleo encerraram a semana em forte alta, impulsionados por tensões geopolíticas no Oriente Médio e preocupações com a oferta global.
O contrato mais líquido do Brent para outubro avançou 1,21%, fechando a US$ 87,93 o barril na ICE de Londres, enquanto o WTI para setembro subiu 1,29%, cotado a US$ 84,67 na Nymex. No acumulado semanal, o Brent valorizou 2,29% e o WTI, 3,53%. O destaque, porém, ficou para o desempenho mensal: o Brent disparou 23,5% em julho, e o WTI saltou 21,8%, configurando um dos meses mais expressivos para a commodity nos últimos anos.
Tensões no Estreito de Ormuz elevam prêmio de risco
O principal catalisador desse movimento foi a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A retomada dos ataques na região do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o escoamento de petróleo mundial, elevou o prêmio de risco geopolítico e trouxe volatilidade aos mercados. No último pregão do mês, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter interceptado e atingido dois navios-tanque, enquanto outras embarcações mudaram de rota após advertências iranianas. O temor de interrupções nas rotas de exportação reacendeu preocupações sobre a oferta global.
Além disso, relatos de que o Consórcio de Oleoduto do Cáspio (CPC) avalia uma possível paralisação de suas operações adicionaram pressão altista aos preços. Do lado americano, declarações do presidente Donald Trump indicando desconfiança em um acordo com o Irã e críticas à capacidade militar do país persa reforçaram o clima de incerteza.
Oferta restrita e alerta para escassez nas refinarias
A preocupação com a oferta não se limita ao campo geopolítico. Analistas do setor, como Scott Shelton da TP ICAP, alertam para a escassez de petróleo bruto disponível para as refinarias, que operam com taxas de utilização abaixo do ideal. Esse cenário contribui para a percepção de que o mercado pode enfrentar dificuldades para atender à demanda, especialmente diante de eventuais choques de oferta.
O mercado agora volta suas atenções para a reunião da Opep+ marcada para domingo (2). Há expectativa de que o grupo de países exportadores e aliados interrompa os aumentos nas cotas de produção após uma última elevação prevista para setembro, o que pode influenciar ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda global.
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