Crescimento anual de 2,3% em 2025 reflete impacto dos juros altos e destaque para agronegócio e petróleo
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento modesto de 0,1% no quarto trimestre de 2025, refletindo o impacto persistente dos juros elevados sobre a atividade econômica.
Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (3), o PIB brasileiro encerrou o ano com alta de 2,3%, desempenho que, embora positivo, representa o ritmo mais lento desde 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou uma retração de 3,3% na economia nacional.
Contexto e desempenho recente
O resultado de 2025 confirma uma tendência de desaceleração em relação ao ano anterior, quando o PIB havia avançado 3,4%. Ainda assim, o país completou cinco anos consecutivos de crescimento econômico, superando, em termos relativos, o desempenho observado nos anos imediatamente anteriores à pandemia. O dado divulgado ficou alinhado às expectativas do mercado, que projetava uma expansão de 2,26%, e também ao otimismo do governo, que previa um crescimento de 2,3%.
Setores que sustentaram o crescimento
A análise do IBGE destaca que o avanço do PIB foi sustentado principalmente por setores menos sensíveis à política monetária restritiva, como o agronegócio e a extração de petróleo. De acordo com Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, quatro segmentos — agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação, além de outros serviços — responderam por 72% do valor adicionado à economia em 2025. Esse dado evidencia a resiliência de atividades ligadas à exportação e à tecnologia, mesmo diante de um cenário de crédito mais caro e consumo doméstico contido.
Perspectivas para 2026
Apesar da expectativa de início de cortes na taxa básica de juros nos próximos meses, o consenso entre analistas é de que a economia brasileira deve manter o ritmo de desaceleração em 2026. O Boletim Focus aponta para uma alta de 1,82% no PIB, enquanto o Banco Central adota uma postura ainda mais conservadora, projetando crescimento de 1,6%. O governo federal, por sua vez, mantém uma visão mais otimista, apostando na repetição do desempenho de 2,3%.
Análise e implicações para investidores
O cenário atual reforça a importância de monitorar setores resilientes e menos expostos à volatilidade dos juros, como agronegócio, energia e tecnologia. Para investidores, compreender as dinâmicas setoriais e as projeções macroeconômicas é fundamental para identificar oportunidades e mitigar riscos em um ambiente de crescimento mais moderado.
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