Fundador da Reag e Banco Master enfrentam ações por suspeita de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras
João Carlos Mansur: trajetória de um contador que virou protagonista de polêmicas no mercado financeiro
A quarta-feira (15) marcou um novo capítulo na trajetória de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em seus endereços. Com uma carreira consolidada no universo corporativo e esportivo, Mansur tornou-se figura conhecida nos círculos de negócios mais influentes do país, especialmente na região da Faria Lima, epicentro do mercado financeiro brasileiro.
Formação e ascensão no mundo dos negócios
Bacharel em Ciências Contábeis, Mansur construiu sua reputação atuando em grandes empresas como PwC e WTorre Arenas, esta última responsável pela construção do Allianz Parque. Sua projeção nacional ganhou força no futebol, ao integrar o Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras, onde supervisionou as contas do clube. Posteriormente, participou da administração da Arena do Grêmio e foi responsável pela contabilidade da Neo Química Arena, estádio do Corinthians.
Diversificação e influência em conselhos
Ao longo da carreira, Mansur ocupou posições estratégicas em conselhos de administração de empresas nacionais e internacionais, como Lux Oil & Gas International, SteelCorp e Azevedo & Travassos. No início da década passada, também atuou na Trump Realty Brazil, incorporadora de luxo ligada ao então presidente dos Estados Unidos. Em seguida, fundou a Reag Investimentos, que rapidamente ampliou sua atuação no mercado financeiro.
Expansão, polêmicas e investigações
Originalmente criada como gestora de investimentos, a Reag diversificou operações e, em 2024, ingressou na bolsa de valores por meio de um IPO reverso, ao adquirir o controle da GetNinjas. Contudo, a trajetória de crescimento foi acompanhada por controvérsias: a empresa foi alvo de investigações por suposto envolvimento com o crime organizado, incluindo acusações de lavagem de dinheiro. Em 2023, no âmbito da Operação Carbono Oculto, a polícia apreendeu ou bloqueou mais de R$ 5 bilhões em bens da companhia, incluindo carros de luxo e relógios. O caso envolve também o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Ação da Polícia Federal e liquidação da Reag
Na operação desta semana, além de Mansur, o empresário Nelson Tanure também foi abordado pela Polícia Federal, tendo seu celular apreendido no Aeroporto de Curitiba. No dia seguinte, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, alegando graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Segundo o BC, fundos administrados pela empresa teriam sido utilizados para lavagem de dinheiro do crime organizado, com falhas severas na gestão de risco, crédito e liquidez. Como resultado, os bens dos controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis.
Entenda a liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é uma medida extrema adotada pelo Banco Central para impedir que instituições financeiras continuem operando diante de irregularidades graves. Funciona como um decreto de falência, bloqueando a atuação da empresa no Sistema Financeiro Nacional. O caso mais recente havia sido o do Banco Master, em novembro do ano passado, cujos investidores ainda aguardam ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege clientes em situações de quebra bancária.
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