Análise do Goldman Sachs destaca crescimento, riscos do petróleo e perspectivas para 2026
As ações da Petrobras (PETR4) têm sido protagonistas no mercado brasileiro em 2024, acumulando uma valorização expressiva que desperta tanto entusiasmo quanto questionamentos entre investidores.
O desempenho superior a 20% na B3, aliado à força dos ADRs em Nova York, coloca a estatal no centro das atenções e levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dessa alta para os próximos anos.
Contexto de valorização: três motores principais
Segundo análise do Goldman Sachs, a recente escalada das ações da Petrobras (PETR4) é resultado de uma combinação de fatores estratégicos. O primeiro é a alta do petróleo no cenário internacional, com o Brent registrando avanços relevantes e impulsionando o setor de energia globalmente. O segundo fator é a forte exposição da Petrobras ao segmento de exploração e produção, o que torna a companhia especialmente sensível às oscilações da commodity. Por fim, o fluxo consistente de capital estrangeiro para o Brasil, que elevou o desempenho do MSCI Brazil, beneficiou empresas de grande liquidez como a Petrobras.
Dividendos: o pilar central da tese
No campo dos fundamentos, o Goldman Sachs projeta que a Petrobras deve entregar um dividend yield entre 9% e 10% em 2026 e 2027, considerando preços do Brent em torno de US$ 67 e US$ 65 por barril, respectivamente. Mesmo antes da recente valorização, o rendimento já era elevado, indicando que boa parte do movimento está atrelada à alta do petróleo, e não a uma reprecificação estrutural da companhia. Um yield próximo de 10% é visto como atrativo, especialmente se a estatal mantiver uma execução operacional eficiente. Caso o petróleo permaneça nos níveis atuais, a Petrobras pode continuar surpreendendo positivamente seus acionistas.
Riscos e volatilidade do petróleo
O principal risco para o cenário construtivo, segundo o Goldman, seria uma eventual correção nos preços do petróleo. O Brent carrega atualmente um prêmio geopolítico de US$ 5 a US$ 7 por barril, reflexo de tensões internacionais e restrições de oferta. Se esses fatores se dissiparem e houver excesso de oferta global, os preços podem recuar, pressionando os resultados da Petrobras. Por outro lado, novas tensões geopolíticas ou um dólar mais fraco podem sustentar o petróleo em patamares elevados, reduzindo o risco de uma correção acentuada.
Produção em expansão e perspectivas para 2026
O crescimento da produção é outro vetor relevante para a tese de investimento. O Goldman Sachs projeta um aumento de cerca de 10% na produção de petróleo da Petrobras em 2026, após um avanço estimado de 11% em 2025. Esse desempenho será impulsionado pela entrada de novos FPSOs, ramp-up de plataformas e maior eficiência operacional no pré-sal. As projeções do banco superam o consenso de mercado e o guidance da própria companhia, sugerindo potencial para revisões positivas caso a execução supere expectativas.
Governança e cenário político no radar
Embora o Goldman Sachs não faça projeções eleitorais, avalia que uma eventual mudança para uma administração mais pró-mercado em 2026 poderia ser bem recebida, especialmente se trouxer maior previsibilidade na política de preços e na alocação de capital. A governança da Petrobras tem se mostrado resiliente, limitando interferências mais severas e mantendo preços alinhados às referências internacionais desde 2023.
Comparação internacional e visão de mercado
Na comparação com outras estatais e petroleiras globais, a Petrobras já não parece tão barata sob a ótica do dividend yield, segundo avaliação do Bradesco BBI. Ainda assim, a estatal segue oferecendo retorno atrativo, sustentado por geração de caixa robusta e escala operacional. O Goldman Sachs mantém recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 35,00 para PETR3 e R$ 32,80 para PETR4, baseando-se em múltiplos conservadores e fundamentos sólidos.
O que esperar para 2026
Em síntese, a Petrobras entra em 2026 com boa parte das notícias positivas já refletidas no preço, mas ainda sustentada por fundamentos robustos. Dividendos elevados, crescimento da produção e governança sólida permanecem como âncoras da tese. O comportamento do petróleo, o cenário político e o câmbio serão determinantes para o desempenho futuro das ações.
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