Ações da Petrobras caem com desescalada no Oriente Médio, mas BofA recomenda compra com preço-alvo elevado
Contexto e impacto da queda
A Petrobras (PETR4) enfrentou nesta sexta-feira (17) uma das maiores quedas de sua história, com uma perda de R$ 34,064 bilhões em valor de mercado, encerrando o pregão avaliada em R$ 629,877 bilhões. Este movimento representa a quarta maior perda diária já registrada pela estatal, refletindo a sensibilidade do mercado diante de eventos geopolíticos e oscilações no preço do petróleo.
A forte desvalorização das ações da Petrobras foi impulsionada por sinais de desescalada nas tensões no Oriente Médio, após o Irã anunciar a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. Esse alívio geopolítico provocou uma queda expressiva nos contratos do Brent para junho, que recuaram 9,06% em Londres, fechando a US$ 90,38 o barril. No Ibovespa (IBOV) , as ações ordinárias da Petrobras caíram 5,31%, a R$ 50,81, liderando as perdas do índice, enquanto as preferenciais recuaram 4,86%, a R$ 46,22, sendo o papel mais negociado do dia, com giro financeiro de R$ 4,04 bilhões.
Comparando com outros episódios históricos, a queda só é superada pelos tombos de março de 2020, fevereiro de 2021 e maio de 2022, evidenciando o peso dos fatores externos sobre o desempenho da companhia.
Acúmulo de ganhos e resiliência
Apesar da forte correção, a Petrobras ainda acumula ganhos expressivos desde o início do conflito no Oriente Médio. As ações preferenciais valorizam cerca de 17% e as ordinárias, 19% no período, com alta superior a 50% no ano. Mesmo descontando a perda desta sexta-feira, o acréscimo líquido no valor de mercado desde o início da guerra permanece em R$ 104,445 bilhões, colocando a estatal como vice-líder global em ganhos de valor de mercado em dólar, atrás apenas da americana ConocoPhillips.
Recomendações e perspectivas de mercado
No mesmo dia da forte queda, o Bank of America (BofA) elevou a recomendação para as ações da Petrobras de neutra para compra, revisando o preço-alvo de R$ 49 para R$ 65 – um potencial de valorização de 33,7% sobre o fechamento anterior. O banco projeta um cenário de preços do petróleo mais elevados nos próximos anos, com o Brent estimado em US$ 93 o barril em 2026. Além disso, destaca o crescimento da produção de óleo e gás da Petrobras, especialmente com a expansão do campo de Búzios, no pré-sal, que deve impulsionar a rentabilidade da companhia.
O BofA também aponta as eleições presidenciais deste ano como um possível catalisador para as ações, ressaltando que melhorias em governança e redução de custos podem mitigar riscos de interferência política e destruição de valor.
Riscos e desafios à frente
Apesar do otimismo do BofA, permanecem no radar riscos relacionados à política de preços de combustíveis e decisões de alocação de capital, que podem impactar a percepção dos investidores e a trajetória das ações.
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