Queda acumulada de 35,2% no QAV pode beneficiar setor aéreo, mas impacto em passagens é complexo
A Petrobras (PETR4) anunciou uma nova redução no preço do querosene de aviação (QAV), consolidando uma tendência de queda que já dura mais de três anos.
A partir de 1º de janeiro de 2026, o preço médio do QAV vendido às distribuidoras caiu 9,4%, o que representa um desconto de R$ 0,34 por litro em relação ao mês anterior. Desde dezembro de 2022, a queda acumulada chega a expressivos 35,2%, ou R$ 1,79 por litro, segundo dados da própria estatal.
Contexto internacional e impacto no mercado
Essa trajetória de redução está diretamente ligada ao cenário internacional do petróleo. O barril do tipo Brent, referência global, iniciou 2026 cotado em torno de US$ 60, bem abaixo dos US$ 76 registrados no início do ano anterior. Esse movimento de baixa nos preços internacionais impacta diretamente o custo do QAV no Brasil, já que a Petrobras (PETR4) utiliza fórmulas contratuais alinhadas ao mercado global para definir seus reajustes mensais.
Apesar da expressiva redução, o consumidor final deve manter expectativas realistas quanto ao preço das passagens aéreas. O QAV representa entre 40% e 50% dos custos operacionais das companhias aéreas, mas o valor do bilhete é resultado de uma cadeia complexa, que inclui outros fatores como demanda, câmbio, impostos e estratégias comerciais das empresas.
Transparência e previsibilidade para o setor
A Petrobras destaca que os ajustes no preço do QAV seguem regras claras e previsíveis, trazendo maior transparência para o setor de aviação. A estatal produz o combustível em suas refinarias e complementa o abastecimento nacional com importações, vendendo exclusivamente para distribuidoras licenciadas. Essa dinâmica garante estabilidade no fornecimento e previsibilidade para as companhias aéreas planejarem seus custos.
Análise e perspectivas
A continuidade desse ciclo de redução pode beneficiar o setor aéreo brasileiro, especialmente em um momento de recuperação da demanda por viagens. No entanto, a efetiva transferência desse alívio de custos para o consumidor depende de múltiplos fatores e da estratégia de cada companhia. Investidores e analistas devem acompanhar de perto a evolução dos preços internacionais do petróleo e as políticas de reajuste da Petrobras, pois ambos são determinantes para o desempenho das empresas do setor.
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