Ações PETR3 e PETR4 sobem mais de 25% em 28 dias, impulsionadas por conflito no Oriente Médio e alta do Brent
A Petrobras (PETR4) encerrou esta sexta-feira com um valor de mercado recorde de R$ 673,22 bilhões, consolidando-se como a empresa mais valiosa da história do setor no Brasil.
O desempenho impressionante da estatal reflete não apenas a escalada dos preços do petróleo no cenário internacional, mas também a crescente incerteza em torno da duração do conflito no Oriente Médio, fatores que têm impulsionado uma sequência de valorizações expressivas desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro.
Volume e liquidez em alta
O volume negociado nesta sexta-feira foi emblemático: R$ 2,47 bilhões movimentados em 64,2 mil negócios apenas com as ações preferenciais, que fecharam cotadas a R$ 49,41, tornando-se as mais negociadas da B3 no dia. Já os papéis ordinários encerraram a R$ 54,30, reforçando o apetite dos investidores por ativos ligados à commodity.
Valorização acelerada em 2025
Nos 28 dias desde o início do conflito, PETR4 acumula alta de 25,63%, enquanto PETR3 avança 27,08%. No acumulado do ano, ambas as ações já superam 60% de valorização, colocando a Petrobras entre os destaques da bolsa brasileira e entre as petroleiras globais que mais se valorizaram no período. O barril do Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 105 nesta sexta-feira, acumulando alta superior a 45% desde o início dos ataques dos EUA e Israel ao Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, redirecionou capitais globais para ativos com exposição direta à commodity, beneficiando empresas como a Petrobras.
Por que a Petrobras lidera entre as petroleiras
A estatal brasileira reúne três fatores-chave em um único papel: exposição direta ao preço do Brent, integração vertical com o refino e o componente de mercado emergente, que amplifica a reprecificação em ciclos positivos para o petróleo. Além disso, a Petrobras parte de um valuation historicamente comprimido em relação às rivais globais, o que potencializa a resposta de suas ações em cenários de alta da commodity. O perfil exportador do Brasil e a distância geográfica do conflito reforçam a percepção de que os ativos brasileiros funcionam como porto seguro relativo em meio à instabilidade geopolítica.
Fundamentos operacionais sólidos
O desempenho operacional da Petrobras também sustenta a tese de valorização. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 15,56 bilhões, revertendo prejuízo do mesmo período do ano anterior, com crescimento de 11% na produção total de óleo e gás. Em março, a estatal superou pela primeira vez a marca de R$ 600 bilhões em valor de mercado, patamar que foi ultrapassado seis vezes até atingir o novo recorde. A distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao 4T25, com pagamentos previstos para maio e junho de 2026, reforça o compromisso com a remuneração ao acionista. A diretoria também sinalizou a possibilidade de dividendos extraordinários, caso o caixa permaneça robusto sem comprometer os projetos de investimento.
Desafios estruturais e riscos no radar
Apesar da forte valorização, a Petrobras ainda negocia com desconto frente às principais concorrentes internacionais. O principal fator de cautela é o risco de interferência governamental na política de preços dos combustíveis, especialmente em ano eleitoral, quando a pressão para segurar reajustes tende a aumentar. A defasagem nos preços do diesel e da gasolina em relação à paridade de importação permanece como um desafio de curto prazo. Embora a estatal tenha promovido um reajuste de 11,6% no diesel em março, analistas avaliam que a defasagem ainda não foi totalmente eliminada. Para investidores estrangeiros, a Petrobras segue sendo vista prioritariamente como uma tese de petróleo, com a melhora do ambiente doméstico funcionando como um potencial desbloqueador de valor adicional.
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