Investigação aponta irregularidades no Digimais, com impacto direto no acordo com BTG Pactual (BPAC11)
Operação da Polícia Federal mira Banco Digimais e repercute no mercado financeiro
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma operação de grande repercussão no mercado financeiro, tendo como alvo o Banco Digimais, instituição digital controlada por Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. O banco, que vinha negociando sua venda para o BTG Pactual (BPAC11), está sob suspeita de irregularidades graves, conforme apontam relatórios do Banco Central.
Contexto e suspeitas
Segundo a Polícia Federal, as investigações se concentram em possíveis manipulações de demonstrativos contábeis e registros regulatórios, com o objetivo de mascarar a real situação financeira do Digimais. O suposto esquema teria permitido ao banco aparentar solvência diante dos órgãos de controle e viabilizar operações que, em tese, seriam irregulares. Caso as suspeitas se confirmem, os envolvidos poderão responder por crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em balanços e realização de operações de crédito proibidas.
A operação mobilizou mais de 50 policiais federais, que cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, incluindo a sede do Digimais. A Justiça Federal autorizou ainda o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal.
Balanço sob questionamento
O último balanço divulgado pelo Digimais indicava lucro líquido de R$ 31 milhões em 2025, patrimônio de referência de R$ 1 bilhão e ativos totais de R$ 10 bilhões. O banco, que atua principalmente no Sul e Sudeste, afirma ter mais de 145 mil clientes e uma carteira de crédito de R$ 3 bilhões, com foco recente em crédito consignado e suspensão de financiamentos de veículos. No entanto, esses números agora estão sob escrutínio, tanto das autoridades quanto do mercado.
Alerta do mercado e risco de quebra
Na véspera da operação, a agência de classificação de risco Fitch retirou todos os ratings do Digimais, citando uma margem de segurança extremamente baixa e a possibilidade real de quebra da instituição. A Fitch destacou incertezas relevantes sobre o perfil financeiro do banco e a falta de transparência em relação à sua estratégia, agravadas pela ausência de informações atualizadas. Reportagens anteriores já haviam levantado suspeitas sobre irregularidades contábeis, prontamente negadas pelo Digimais, que classificou as denúncias como infundadas e prejudiciais à sua imagem.
Negociações com o BTG Pactual
Diante das dificuldades financeiras, Edir Macedo vinha negociando a venda do Digimais para o BTG Pactual. O BTG confirmou as tratativas em abril, mas ressaltou que o negócio dependia de condições como a aprovação do Banco Central e do Cade, além da definição do valor de referência. Com o avanço das investigações, o futuro da transação torna-se incerto, e o mercado acompanha de perto os desdobramentos.
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