Polícia Civil investiga desvios milionários e Banco Central endurece regras para fintechs e compliance
O mercado financeiro brasileiro foi novamente sacudido por uma operação policial de grande porte. Na manhã desta terça-feira (9), a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Azimut, mirando fraudes sofisticadas em sistemas financeiros e lavagem de dinheiro. A ação, que mobilizou 40 agentes, cumpriu 12 mandados de busca e 12 de prisão temporária em cidades estratégicas como Campinas, Hortolândia e a capital paulista. Até o momento, sete suspeitos já foram detidos, evidenciando a gravidade e o alcance da investigação.
O cerne da operação envolve um grupo criminoso que, segundo as autoridades, teria desviado pelo menos R$ 20 milhões de uma empresa de meios de pagamento. Utilizando credenciais legítimas, os fraudadores movimentaram recursos por meio de cartões, Pix e carteiras digitais, demonstrando profundo conhecimento das brechas tecnológicas do setor. As investigações revelam ainda que os valores eram canalizados para duas empresas, responsáveis por redistribuir os recursos. Em apenas dois anos, uma dessas empresas teria movimentado impressionantes R$ 7 bilhões, segundo a apuração da Polícia Civil.
O contexto dessa ofensiva policial não é isolado. Nos últimos meses, operações semelhantes têm se intensificado, especialmente após a repercussão da Operação Carbono Neutro, que expôs o uso de instituições financeiras de menor porte e baixa regulação para lavar dinheiro do crime organizado. O impacto dessas ações é profundo: além de abalar a confiança do investidor, elas pressionam reguladores e players do mercado a reforçarem controles internos e compliance.
Como resposta, o Banco Central promoveu mudanças relevantes nas regras para fintechs. Uma das principais alterações foi o veto à chamada "conta bolsão", prática em que o dinheiro de vários clientes é mantido em um único saldo coletivo, sem individualização real dentro da instituição. Segundo Gilneu Vivan, diretor de Regulação do BC, essa prática nunca foi permitida e deve ser imediatamente cancelada. Outra medida importante foi a restrição ao uso de termos como "bank" por fintechs que não possuem autorização para operar como bancos, aumentando a transparência e a segurança para o consumidor.
Essas operações e mudanças regulatórias sinalizam uma nova fase de rigor no combate à lavagem de dinheiro e fraudes financeiras no Brasil. Para investidores e empresas do setor, o recado é claro: a era da tolerância a brechas regulatórias está chegando ao fim, e a conformidade passa a ser um diferencial competitivo indispensável.
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