Acordo cria maior área de livre comércio e deve impulsionar economia e empresas brasileiras
O aguardado acordo comercial entre Mercosul e União Europeia finalmente será assinado neste sábado (18), em Assunção, Paraguai, marcando o desfecho de um processo que se arrastou por mais de 25 anos. O evento, que simboliza uma nova era para o comércio internacional entre os dois blocos, ocorre sob a presidência paraguaia do Mercosul, que assume o comando do bloco em 2025.
Contexto e bastidores da negociação
A assinatura do tratado representa um marco histórico, resultado de intensas negociações diplomáticas e econômicas. Na semana passada, a maioria dos embaixadores do Conselho Europeu aprovou o acordo, abrindo caminho para sua entrada em vigor já no segundo semestre deste ano. Curiosamente, todos os presidentes dos países do Mercosul estarão presentes na cerimônia, exceto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ainda assim, Lula se reuniu na véspera do evento, no Rio de Janeiro, com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, em um gesto que reforça o protagonismo brasileiro nas negociações.
Impactos econômicos e projeções para o Brasil
O acordo prevê isenção tarifária para produtos exportados até determinados limites, com redução gradual das taxas para além dessas cotas ao longo dos próximos anos. Essa abertura comercial é vista como uma oportunidade estratégica para o Brasil, que deve ser um dos maiores beneficiados. Estimativas de entidades do setor apontam para um potencial incremento de até 0,4% no PIB brasileiro, o que pode representar cerca de R$ 50 bilhões em ganhos econômicos.
Análise: o que muda para o mercado e investidores
A entrada em vigor do acordo cria a maior área de livre comércio do mundo, conectando o Mercosul ao vasto mercado europeu. Para empresas brasileiras, especialmente dos setores agrícola, industrial e de serviços, a expectativa é de acesso facilitado a novos mercados, aumento da competitividade e atração de investimentos estrangeiros. O tratado também sinaliza um compromisso renovado com o crescimento econômico sustentável e a reindustrialização, temas destacados pelo presidente Lula durante o encontro no Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty.
Perspectivas e desafios
Apesar do otimismo, o acordo traz desafios: adaptação regulatória, necessidade de inovação e maior eficiência produtiva serão essenciais para que o Brasil aproveite plenamente as oportunidades. O comércio internacional, como destacou Ursula von der Leyen, não é um jogo de soma zero — todos os envolvidos devem se beneficiar, mas a preparação estratégica será determinante para capturar os melhores resultados.
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