Dólar sobe 2,04%, Selic cai e Embraer lidera ganhos enquanto Braskem despenca
Dólar e Ibovespa Refletem Cautela Global
O dólar encerrou a semana cotado a R$ 5,16, acumulando valorização de 2,04% e refletindo o clima de cautela que dominou os mercados globais. O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, não escapou do pessimismo e fechou a semana em queda de 1,64%, aos 168.333,61 pontos, em meio a decisões cruciais de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Cenário Político e Eleitoral Acentua Incertezas
No Brasil, o ambiente político segue no radar dos investidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, ampliou sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto, segundo levantamentos do CNT/MDA e Futura/Apex. O mercado aguarda com expectativa o próximo levantamento do Datafolha, atento ao impacto das tendências eleitorais sobre a condução da política econômica.
Copom Reduz Selic e Adia Meta de Inflação
O grande destaque da semana foi a decisão do Copom, que cortou a taxa Selic (SELIC) de 14,50% para 14,25% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. O Banco Central sinalizou preocupação com o aumento das incertezas externas, especialmente diante das tensões no Oriente Médio, e revisou para cima suas projeções de inflação. Apesar de manter a possibilidade de novos cortes, o BC adiou o horizonte para atingir a meta de inflação de 3% para o primeiro trimestre de 2028, o que gerou debate sobre a postura diante do controle inflacionário.
Fed Mantém Juros e Sinaliza Mudanças na Comunicação
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quarta vez consecutiva. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou em sua primeira coletiva a intenção de aprimorar a comunicação com o mercado, sugerindo possíveis mudanças em instrumentos de orientação aos investidores. O dot plot do Fomc apontou para uma possível alta de 25 pontos-base até dezembro, reforçando o tom conservador da autoridade monetária americana.
Tensões Geopolíticas e Volatilidade no Petróleo
A semana também foi marcada por avanços e retrocessos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Após um breve alívio, o cancelamento das negociações de paz pressionou os preços do petróleo, que fecharam a semana em queda de 7,80%, com o Brent cotado a US$ 80,57 o barril. O cenário geopolítico segue como fator de volatilidade para as commodities e para o humor dos mercados.
Destaques Corporativos: Embraer em Alta, Braskem em Forte Queda
Entre as ações, a Embraer liderou os ganhos do Ibovespa (IBOV), subindo 8,72% após anunciar contratos relevantes com a Força Aérea Brasileira e a aprovação da venda de aeronaves para a Grécia. O movimento foi visto como positivo para a divisão de Defesa da companhia, segundo análise do Santander.
Na ponta oposta, a Braskem despencou 17,58% após se tornar ré por crimes ambientais relacionados ao afundamento do solo em Maceió. A empresa enfrenta ainda dificuldades para avançar em sua reestruturação extrajudicial, com resistência de credores e preocupações sobre a liquidez de curto prazo, o que deve manter a volatilidade elevada para o papel.
Outros destaques positivos da semana incluíram Weg, Caixa Seguridade, Cosan e Suzano, enquanto Usiminas, CSN, Natura e Magazine Luiza figuraram entre as maiores quedas, refletindo a seletividade dos investidores diante do cenário macroeconômico desafiador.
Para quem deseja acompanhar de perto o desempenho das principais ações da bolsa e identificar oportunidades em meio à volatilidade, o Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada dos destaques semanais e históricos do mercado brasileiro.