Setor de logística e energia elétrica dominam R$ 150,7 bi em debêntures incentivadas até nov/2025
O setor de logística ganha protagonismo no mercado de debêntures incentivadas
O setor de logística ganha protagonismo no mercado de debêntures incentivadas, rivalizando com o tradicional segmento de energia elétrica e consolidando-se como peça-chave no financiamento de infraestrutura no Brasil. Em 2025, entre janeiro e novembro, as debêntures incentivadas movimentaram impressionantes R$ 150,7 bilhões, superando todos os anos anteriores, segundo dados da Anbima. Esse avanço reflete o apetite crescente dos investidores de renda fixa por instrumentos que unem isenção fiscal e potencial de retorno, ao mesmo tempo em que impulsionam projetos estratégicos para o país.
Transporte e logística responderam por 34,2% das captações, praticamente empatados com energia elétrica, que ficou com 33,7%. Saneamento, tecnologia da informação e telecomunicações também aparecem como setores relevantes, mas em patamares inferiores. Empresas como Motiva (MOTV3) e Taesa (TAEE11) são exemplos de companhias que recorrem fortemente a esse tipo de captação para viabilizar seus projetos.
O destaque do setor de logística é atribuído, em grande parte, ao avanço dos programas de concessões, que têm ampliado a demanda por recursos de longo prazo. O prazo médio de vencimento das debêntures incentivadas chegou a 12,9 anos, bem acima dos 5,7 anos das debêntures corporativas tradicionais, elevando a média geral do instrumento para 8,2 anos. Esse alongamento do prazo é fundamental para a sustentabilidade dos projetos de infraestrutura, que exigem investimentos robustos e retorno dilatado no tempo.
Os fundos de investimento lideram a participação nas debêntures incentivadas, respondendo por 33,3% do total aplicado, o equivalente a R$ 45,9 bilhões no acumulado do ano. Esse volume já supera com folga o registrado em todo o ano anterior, evidenciando o interesse institucional pelo segmento. No mercado secundário, o volume negociado atingiu R$ 316 bilhões nos onze primeiros meses de 2025, com alta de 24,2% em relação ao mesmo período de 2024, mostrando que a liquidez desses papéis também cresce de forma consistente.
No panorama geral, as emissões totais de debêntures – incluindo simples e incentivadas – alcançaram R$ 433 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, um recorde histórico e 6,8% acima do ano anterior. Já as negociações no mercado secundário somaram R$ 870,5 bilhões, alta de 34,6%. Esses números reforçam a tendência de diversificação dos investidores, que buscam alternativas ao Tesouro Direto em busca de maior rentabilidade, mesmo assumindo riscos de crédito mais elevados.
É importante ressaltar, contudo, que debêntures não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que exige análise criteriosa da saúde financeira das empresas emissoras. O acompanhamento de recomendações de analistas especializados é fundamental para identificar oportunidades e mitigar riscos no universo do crédito privado.
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