BTG Pactual esclarece exposição ao Master; Oncoclínicas, Emae e Banco da Amazônia também são afetados
O impacto da liquidação do Banco Master: exposição do BTG Pactual e consequências para o mercado
O anúncio da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a exposição de grandes instituições financeiras e empresas ao banco. Em meio à turbulência, o BTG Pactual (BPAC11) veio a público nesta sexta-feira (21) para esclarecer sua relação com o Master, buscando acalmar investidores e o mercado.
Exposição do BTG Pactual ao Banco Master: esclarecimentos e contexto
Segundo comunicado oficial, o BTG Pactual informou que, em determinado momento, chegou a aplicar cerca de 1% de seus recursos em operações compromissadas com o Banco Master. Esse percentual atingiu o pico de 1,19% em fevereiro deste ano, mas foi totalmente zerado dois meses depois. O banco reforçou que, atualmente, não mantém qualquer posição relacionada ao Grupo Master, classificando a exposição como "baixa" e já inexistente.
Além disso, o BTG reconheceu que pode ter sido contratado para prestar serviços financeiros corriqueiros ao Grupo Master, como operações de banco de investimento e outras transações necessárias à condução das atividades do grupo. O BTG também foi um dos principais distribuidores dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Master e chegou a adquirir R$ 1,5 bilhão em ativos do fundador da instituição, Daniel Vorcaro.
O cenário se agravou após a prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em operação da Polícia Federal que investigou a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. No dia seguinte à prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Master, ampliando as incertezas sobre o ressarcimento de investidores e o impacto sistêmico no mercado.
Consequências para investidores e empresas expostas ao Banco Master
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deverá ressarcir os credores do banco, incluindo investidores que adquiriram CDBs do Master. No entanto, o FGC cobre apenas até R$ 250 mil por correntista, limitado a R$ 1 milhão em quatro anos, o que deixa grandes investidores, fundos de pensão e empresas expostos a perdas significativas caso tenham aplicado valores superiores a esse teto.
Entre as empresas afetadas, a Oncoclínicas (ONCO3) revelou ter investido aproximadamente R$ 433 milhões em CDBs do Master, dos quais R$ 217 milhões já haviam sido provisionados após o rebaixamento do rating do banco. No momento da liquidação, a exposição remanescente era de R$ 216 milhões. A Emae (EMAE3), por sua vez, mantinha 5,8% de seus ativos em CDBs do Letsbank, subsidiária do Master, e afirmou que possui caixa suficiente para honrar seus compromissos.
O Banco da Amazônia (BAZA3) também figura entre os impactados, com investimento de R$ 39 milhões em Letras Financeiras do Master, títulos que não contam com a cobertura do FGC. Apesar disso, a exposição representa menos de 0,19% do portfólio do banco, que já anunciou medidas para tentar recuperar os recursos junto ao liquidante.
Fora do universo das empresas listadas na B3, a Cedae também relatou investimentos em CDBs do Master e aguarda o resgate dos valores, tendo iniciado o processo para solicitar o crédito ao liquidante.
Análise e perspectivas: riscos, aprendizados e próximos passos
A liquidação do Banco Master evidencia a importância da diversificação e da análise criteriosa de risco por parte de investidores institucionais e empresas. O episódio reforça a necessidade de monitoramento constante da saúde financeira das instituições emissoras de títulos de crédito, especialmente em um cenário de maior volatilidade e fiscalização regulatória.
Para o mercado, o caso serve de alerta sobre os limites da proteção oferecida pelo FGC e a relevância de políticas robustas de governança e compliance. A expectativa é de que o episódio leve a uma revisão de estratégias de alocação de recursos e a um escrutínio ainda maior sobre a solidez das instituições financeiras de médio porte.
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