Mercado brasileiro reprecifica Selic e acompanha alta dos juros americanos em cenário global incerto
O mercado financeiro brasileiro viveu uma reviravolta nesta quinta-feira, com as apostas de corte na taxa Selic (SELIC) praticamente eliminadas para setembro. O movimento foi impulsionado por uma brusca reprecificação dos juros futuros, motivada pela escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e pela disparada do preço do petróleo Brent, que voltou a superar a marca de US$ 100 o barril. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, patamar que reflete o ambiente de cautela diante das incertezas globais.
Até o dia anterior, as opções do Copom negociadas na B3 ainda indicavam uma probabilidade de 52% para algum corte na Selic em setembro. Na curva a termo, o mercado precificava uma redução de 5 pontos-base para o mesmo mês. No entanto, em apenas um pregão, esse cenário foi completamente revertido, evidenciando a sensibilidade dos investidores a eventos externos e à volatilidade dos preços das commodities.
Esse ajuste não se restringiu ao Brasil. Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos do Tesouro de dez anos, referência para diversos tipos de crédito, atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, chegando a 4,714% pela manhã e superando a máxima intradia de maio deste ano. O ambiente de aversão ao risco levou investidores a ampliar as apostas de alta nos juros americanos nos próximos meses. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de elevação dos juros pelo Federal Reserve em setembro ultrapassou 80% ao longo do dia.
No fechamento do pregão, a expectativa de manutenção dos juros americanos na faixa de 3,50% a 3,75% ficou em 66,3%, enquanto a chance de alta de 25 pontos-base alcançou 33,7%. Não há, por ora, expectativa de corte nos juros dos EUA, o que reforça o cenário de pressão sobre mercados emergentes como o Brasil.
No mercado local, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) voltaram a se aproximar de 15%, com avanço superior a 20 pontos-base nos vértices de médio prazo. O DI para janeiro de 2027 fechou a 14,045%, alta de quase 10 pontos-base em relação ao fechamento anterior. Já o DI para janeiro de 2029 subiu 21 pontos-base, encerrando o dia em 14,705%. Para prazos mais longos, como janeiro de 2036, a taxa atingiu 14,825%, um avanço de 14 pontos-base.
Perspectivas para agosto: corte ainda no radar, mas incerteza cresce
Apesar do fechamento das apostas para setembro, o mercado mantém alguma expectativa de corte na Selic na próxima reunião do Copom, marcada para 5 de agosto. Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, há cerca de 68% de chance de redução de 25 pontos-base, contra 32% de probabilidade de manutenção. No entanto, o ambiente ficou consideravelmente mais incerto. Até a semana passada, dados de inflação mais benignos no Brasil e nos EUA alimentavam a expectativa de novos cortes. A recente escalada das tensões no Oriente Médio e a disparada do petróleo, porém, recolocaram o risco inflacionário no centro das atenções.
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