Banco revisa projeção e prevê início do ciclo de cortes na segunda reunião do Copom em 2024
A taxa Selic, referência central para os investimentos no Brasil, voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após o Itaú revisar suas projeções para o início do ciclo de cortes de juros. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (23), o banco passou a prever que a redução da taxa Selic (SELIC)só deve ocorrer em março, durante a segunda reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2024, adiando expectativas anteriores de um corte mais imediato.
Contexto e expectativas do mercado
A Selic (SELIC), atualmente em 15% ao ano, permanece em um dos patamares mais elevados das últimas décadas, reflexo da estratégia do Banco Central para conter a inflação persistente. O Itaú, apesar do adiamento do início dos cortes, mantém a projeção de que a taxa básica encerre 2024 em 12,75%. Para 2027, a expectativa é de uma Selic em 11,75% ao ano, sinalizando um ciclo gradual de flexibilização monetária.
O relatório do banco destaca que o Copom vem ganhando confiança na eficácia da política monetária atual, com sinais de desaceleração da atividade econômica, moderação do consumo e uma melhora qualitativa nos indicadores de inflação. Esses fatores criam o ambiente necessário para o início do ciclo de cortes, mas a concentração da desinflação em setores específicos exige cautela.
Análise: cautela do Banco Central e impactos para investidores
Segundo a equipe de research do Itaú, a desinflação está mais evidente nos bens comercializáveis, enquanto itens não comercializáveis seguem com preços resilientes. Esse cenário recomenda prudência ao Banco Central, já que cortes mais agressivos ou antecipados poderiam pressionar a moeda e comprometer o controle inflacionário. Assim, a expectativa é de que o Copom adote uma postura conservadora na primeira reunião do ano, marcada para os dias 27 e 28 de janeiro.
O cronograma do Banco Central prevê outras sete reuniões ao longo de 2024 para avaliar a trajetória da Selic (SELIC). Até o momento, a autoridade monetária não sinalizou claramente sua intenção quanto ao corte ou manutenção da taxa, mas o consenso entre analistas é de que novos aumentos estão praticamente descartados.
Perspectivas e próximos passos
Gabriel Galipolo, presidente do BC, reforçou a postura de cautela ao afirmar que a ausência de sinais claros não é uma estratégia deliberada, mas sim reflexo da incerteza do cenário econômico. O Banco Central prefere aguardar dados mais robustos antes de tomar decisões definitivas sobre a Selic (SELIC), o que reforça a importância de acompanhar atentamente os próximos comunicados e reuniões do Copom.
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