Inflação acumulada em 12 meses atinge teto da meta do BC, influenciando decisões sobre a Selic
A prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,20% em janeiro, sinalizando um início de ano marcado por pressões pontuais nos preços, especialmente no setor de saúde.
O resultado, embora inferior ao de dezembro (0,25%) e levemente abaixo das expectativas do mercado (0,22%), evidencia que o controle inflacionário segue desafiador, sobretudo diante do avanço de 4,50% acumulado em 12 meses – exatamente no teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Contexto e dinâmica dos preços
O IPCA-15 , considerado um termômetro antecipado da inflação, mostrou que os gastos com saúde e cuidados pessoais exerceram a maior pressão sobre o índice, com alta de 0,81%. O encarecimento de artigos de higiene pessoal (1,38%) e dos planos de saúde (0,49%) foi determinante para esse movimento. Alimentos e bebidas também contribuíram para a elevação, revertendo uma tendência de queda e subindo 0,31% em janeiro, impulsionados por aumentos expressivos em itens como tomate, batata-inglesa, frutas e carnes.
Outro destaque foi o reajuste nos combustíveis, que subiram 1,25%, puxados principalmente pelo etanol (3,59%) e pela gasolina (1,01%). Apesar disso, o grupo de transportes apresentou deflação de 0,13%, beneficiado pela queda nas passagens aéreas e tarifas de ônibus urbano. Já as despesas com habitação recuaram 0,26%, refletindo o alívio na conta de luz.
Impacto sobre a Selic e expectativas do mercado
O resultado do IPCA-15 reforça o cenário de cautela para a política monetária. Segundo o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 4,00% para 2026, dentro do intervalo de tolerância do Banco Central, mas ainda acima do centro da meta. Analistas avaliam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic (SELIC) em 15% na reunião desta semana, postergando eventuais cortes para março. O BC, por sua vez, segue atento à desancoragem das expectativas inflacionárias, o que justifica uma postura conservadora diante dos juros.
Análise e perspectivas
O comportamento dos preços em janeiro revela que, apesar de avanços em alguns grupos, a inflação segue pressionada por fatores sazonais e estruturais. O encarecimento de alimentos e combustíveis, somado à persistência de custos elevados em saúde, exige atenção redobrada de investidores e formuladores de políticas. O desafio para os próximos meses será equilibrar a trajetória dos preços com a necessidade de estímulo à atividade econômica, sem perder de vista o compromisso com o controle inflacionário.
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