Inflação acelera em fevereiro com reajustes em educação e transportes, mas mantém meta do Banco Central
A prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA-15, surpreendeu o mercado ao registrar alta de 0,84% em fevereiro, superando as expectativas dos analistas que projetavam um avanço de 0,57%. O dado, divulgado pelo IBGE, revela uma pressão significativa sobre os preços, especialmente vinda dos reajustes das mensalidades escolares e do aumento nos custos de transportes.
Contexto e impacto no mercado
O resultado do IPCA-15 de fevereiro é o maior dos últimos 12 meses, atrás apenas do índice registrado no mesmo mês do ano passado, quando a inflação prévia atingiu 1,23%. Em janeiro, o indicador havia subido apenas 0,20%, evidenciando uma aceleração relevante neste início de ano. Apesar disso, o acumulado em 12 meses recuou de 4,50% para 4,10%, mantendo-se dentro da meta do Banco Central, que busca uma inflação de 3% com tolerância entre 1,50% e 4,50%.
O comportamento da inflação é um dos principais fatores observados pelo mercado financeiro para antecipar movimentos da taxa Selic (SELIC). Mesmo com a surpresa inflacionária, analistas avaliam que o resultado não deve alterar de forma significativa os planos do Comitê de Política Monetária (Copom), que já sinalizou a intenção de iniciar cortes na taxa básica de juros na próxima reunião, marcada para março. O mercado projeta que a Selic caia dos atuais 15% para 14,50% e chegue a 12,13% até o fim de 2026, conforme o Boletim Focus.
Principais pressões inflacionárias
O avanço do IPCA-15 em fevereiro foi impulsionado principalmente pelo grupo Educação, que subiu 5,20% devido aos tradicionais reajustes das mensalidades escolares no início do ano letivo. O ensino médio e fundamental registraram aumentos de 8,19% e 8,07%, respectivamente, enquanto a pré-escola teve alta de 7,49%.
No grupo Transportes, o destaque ficou para o aumento expressivo das passagens aéreas (11,64%) e dos combustíveis (1,38%), além dos reajustes em ônibus urbanos e metrô. Saúde e cuidados pessoais também contribuíram para a alta, com elevação nos preços de artigos de higiene pessoal (0,91%) e planos de saúde (0,49%).
Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter a inflação. A alimentação no domicílio subiu apenas 0,09%, refletindo quedas nos preços de arroz, frango em pedaços e frutas, embora o tomate e as carnes tenham pressionado para cima. A energia elétrica também colaborou para o alívio inflacionário, com recuo de 1,37% devido à manutenção da bandeira tarifária verde.
Análise e perspectivas
O comportamento dos preços em fevereiro reforça a importância de monitorar os grupos mais voláteis do IPCA-15, especialmente educação e transportes, que tendem a sofrer reajustes sazonais. Apesar da aceleração pontual, o cenário inflacionário segue sob controle, permitindo ao Banco Central manter sua estratégia gradual de redução dos juros.
Para investidores atentos ao impacto da inflação sobre seus investimentos, acompanhar a evolução dos indicadores de preços é fundamental. A ferramenta de Simulador de Rentabilidade da AUVP Analítica permite projetar diferentes cenários de retorno considerando variações inflacionárias e mudanças na taxa Selic, auxiliando na tomada de decisões mais informadas.