Depoimentos e provas técnicas revelam suposta venda de carteiras falsificadas e impacto regulatório
As investigações sobre a suposta venda de carteiras de crédito consignado falsificadas pelo Banco Master ao BRB (BSLI4) ganharam novos contornos após um dia intenso de depoimentos no Supremo Tribunal Federal. O caso, que envolve cifras bilionárias e coloca em xeque a integridade de operações entre instituições financeiras, mobiliza autoridades e o mercado financeiro, atentos ao impacto e às possíveis consequências regulatórias.
Contexto e o confronto no STF
Na noite de terça-feira, o STF foi palco de uma acareação decisiva entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O procedimento, conduzido pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, foi motivado por contradições flagrantes nos depoimentos dos dois principais investigados. Ambos respondem por suspeita de participação em uma operação de venda de carteiras de crédito supostamente falsificadas, que teria inflado artificialmente o balanço do Banco Master em R$ 12,2 bilhões, mascarando problemas de liquidez.
O depoimento técnico que mudou o rumo da investigação
O ponto de inflexão do dia veio com o depoimento de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central. Sua fala, descrita por fontes como precisa e didática, trouxe um cronograma detalhado dos fatos, expondo inconsistências nas versões dos investigados. Aquino, ao lado do presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi responsável por encaminhar os indícios de fraude ao Ministério Público e recomendar a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro. Sua autoridade técnica foi tamanha que o ministro Dias Toffoli dispensou sua participação na acareação, reconhecendo o peso de suas informações para o caso.
Medidas cautelares e repercussão institucional
A gravidade das suspeitas se reflete nas medidas impostas: Daniel Vorcaro, após prisão preventiva, responde em liberdade com tornozeleira eletrônica, enquanto Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB por decisão judicial. O caso tramita no STF devido ao foro privilegiado, após documentos apreendidos citarem um deputado federal, ampliando o alcance político e institucional da investigação.
Impacto para o mercado e próximos passos
Com a conclusão das oitivas e a robustez das provas técnicas, a Polícia Federal e o STF avançam para a análise detalhada dos dados bancários. O cenário aponta para o fortalecimento da tese de fraude estrutural, em detrimento da alegação de erro operacional defendida pelos investigados. Para o mercado financeiro, o desfecho deste caso será determinante para calibrar o rigor regulatório em futuras transações entre bancos públicos e privados, influenciando práticas de governança e compliance em todo o setor.
Para investidores atentos à solidez e à transparência das instituições financeiras, a Busca Avançada da AUVP Analítica permite filtrar bancos e empresas por indicadores de governança, liquidez e histórico de operações, oferecendo uma visão aprofundada para decisões mais seguras.