Reajuste do INSS fica abaixo da inflação e impacta 12 milhões de aposentados e pensionistas
O novo formato de reajuste para aposentados e pensionistas do INSS que recebem acima do salário mínimo já está em vigor, conforme as regras do arcabouço fiscal.
O governo federal definiu que, em 2025, esses beneficiários terão seus salários corrigidos em 3,9%, percentual baseado no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), índice que serve de referência para a atualização desses benefícios.
Contexto e impacto do reajuste
A decisão, publicada no Diário Oficial da União, representa um reajuste inferior à inflação oficial, que deve fechar o ano em torno de 4,3%. Isso significa que, na prática, o poder de compra dos aposentados e pensionistas que recebem acima do piso nacional será levemente corroído, já que o aumento não acompanha integralmente a alta dos preços medida pelo IPCA. O novo teto dos benefícios pagos pelo INSS passa de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55, abrangendo não apenas aposentadorias e pensões, mas também outros auxílios vinculados ao órgão federal.
Segundo estimativas do próprio INSS, cerca de 12 milhões de pessoas serão impactadas por esse reajuste. Os pagamentos com os novos valores começam a ser feitos em fevereiro, referentes ao exercício de janeiro. Vale lembrar que, para quem passou a receber o benefício ao longo do ano passado, o reajuste será proporcional ao tempo de recebimento, seguindo uma tabela específica para cada mês de início do benefício.
Arcabouço fiscal e critérios de correção
A escolha do INPC como índice de referência está alinhada às diretrizes do novo arcabouço fiscal, que busca conter o avanço da dívida pública e garantir maior previsibilidade às contas do governo. Diferentemente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) considera uma cesta de produtos e serviços mais restrita, o que geralmente resulta em variações menores. Essa estratégia, embora contribua para o equilíbrio fiscal, gera debates sobre o impacto real na renda dos beneficiários, especialmente em um cenário de inflação persistente.
Novas alíquotas de contribuição do INSS
Além do reajuste dos benefícios, o início do ano trouxe também a atualização da tabela de contribuição do INSS. As alíquotas variam de 7,5% a 14% conforme a faixa salarial, afetando diretamente o planejamento financeiro dos trabalhadores formais. Para quem recebe até R$ 1.621, a contribuição é de 7,5%. Entre R$ 1.621,01 e R$ 2.902,84, a alíquota sobe para 9%. Para salários entre R$ 2.902,85 e R$ 4.354,27, a taxa é de 12%. Já quem recebe acima de R$ 4.354,28 contribui com 14%.
Análise e perspectivas
A decisão do governo reflete o desafio de equilibrar responsabilidade fiscal e proteção social. Embora o reajuste abaixo da inflação ajude a conter gastos públicos, ele pressiona o orçamento de milhões de aposentados e pensionistas, que já enfrentam dificuldades para manter o poder de compra. O debate sobre a sustentabilidade do sistema previdenciário e a necessidade de políticas que garantam a dignidade dos beneficiários deve se intensificar nos próximos meses, especialmente diante de um cenário econômico ainda incerto.
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