Pressão inflacionária e reformas econômicas impactam cenário político e social no país vizinho
A inflação na Argentina voltou a preocupar investidores e analistas em novembro, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrando alta de 2,5% em relação a outubro. O acumulado dos últimos 12 meses atingiu 31,4%, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), evidenciando um cenário de pressão inflacionária persistente no país vizinho. Termos como inflação argentina, preços ao consumidor e impacto econômico voltam ao centro das discussões sobre a estabilidade regional.
O principal motor dessa escalada inflacionária foi o aumento nos custos de habitação, água, eletricidade e gás, que subiram 3,4% no período. Transporte e alimentos, ambos com alta próxima de 3%, também contribuíram para o avanço dos preços. Entre os itens mais afetados está a carne bovina, produto central na dieta argentina, que sofre reajustes frequentes e pressiona o orçamento das famílias.
O contexto cambial também pesa: desde maio, com a valorização do dólar e a adoção de uma banda de flutuação pelo governo, a moeda norte-americana opera próxima ao teto, alimentando expectativas de aceleração inflacionária. Esse ambiente desafia a política econômica e amplia a volatilidade dos mercados locais.
Dois anos de Milei: reformas e desafios
O governo de Javier Milei, que acaba de completar dois anos, tem buscado conter a inflação por meio de reformas profundas. O ajuste fiscal, simbolizado pela redução de subsídios e cortes em gastos públicos, resultou em aumento nas tarifas de serviços essenciais e transporte. Embora essas medidas tenham gerado superávits fiscais e valorização da bolsa de Buenos Aires em determinados momentos, o impacto social é significativo.
A agenda de Milei inclui agora uma ampla reforma trabalhista, com propostas de flexibilização de jornadas e férias para combater a informalidade e estimular a geração de empregos formais. No entanto, a população ainda sente os efeitos dos cortes: obras públicas paralisadas, queda no poder de compra e aumento do desemprego são realidades que desafiam a narrativa de recuperação.
A vida do argentino sob pressão
Apesar de avanços no controle dos preços em relação a gestões anteriores, o argentino médio enfrenta dificuldades crescentes. Salários defasados, especialmente para aposentados e pensionistas, e a inflação persistente corroem o poder de compra. Pesquisas recentes apontam que a maioria da população tem dificuldades para chegar ao fim do mês, refletindo o impacto direto das políticas de ajuste.
Polêmicas e turbulências políticas
O governo Milei também foi marcado por episódios polêmicos, como denúncias de corrupção envolvendo membros próximos e o escândalo da criptomoeda LIBRA, que resultou em prejuízo bilionário para milhares de investidores. Esses episódios testam a resiliência política do presidente e alimentam o debate sobre a condução das reformas.
Mercado e capital político
Apesar das turbulências, Milei saiu fortalecido das últimas eleições, ampliando sua base no Congresso e recebendo apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos. O respaldo de Washington, materializado em empréstimos e acordos de swap cambial, ajudou a estabilizar expectativas e garantir o pagamento de compromissos com o FMI.
Para investidores atentos ao cenário argentino e à dinâmica dos mercados latino-americanos, acompanhar indicadores econômicos e movimentos políticos é fundamental. A ferramenta de Busca Avançada da AUVP Analítica permite filtrar ativos expostos à economia argentina e monitorar tendências que podem impactar portfólios regionais.