Boletim Focus aponta alta do IPCA e expectativa de queda gradual da Selic em cenário de instabilidade global
Cenário macroeconômico brasileiro e expectativas para inflação, juros e câmbio
O cenário macroeconômico brasileiro segue desafiador, com a inflação pressionada por fatores externos, mas o mercado mantém a expectativa de queda da Selic para 12,50% até o fim do ano. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiram de 4,36% para 4,71%, superando o teto da meta do Banco Central, que é de 3% com tolerância até 4,5%. Esse aumento reflete o impacto da guerra no Oriente Médio, que tem elevado os preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e passagens aéreas no Brasil. Além disso, o conflito ameaça pressionar ainda mais os preços dos alimentos, seja pelo aumento do frete ou dos fertilizantes, criando um ambiente de incerteza para o controle inflacionário.
O IPCA já havia acelerado 0,88% em março, evidenciando os efeitos da instabilidade internacional sobre a inflação doméstica. Analistas projetam que essa pressão deve persistir nos próximos meses, tornando o desafio do Banco Central ainda maior para manter a inflação dentro da meta. Para 2027, a expectativa de inflação também subiu, passando de 3,85% para 3,91%, enquanto para 2028 e 2029 as projeções são de 3,60% e 3,50%, respectivamente.
Apesar desse cenário de inflação elevada, o mercado financeiro não alterou as projeções para a taxa básica de juros. A expectativa é que a Selic recue dos atuais 14,75% para 12,50% até o final de 2026, chegando a 10,50% em 2027 e recuando gradualmente até 9,75% em 2029. Vale destacar que, antes da intensificação do conflito internacional, havia espaço para cortes mais agressivos, com apostas de Selic em 12% ainda este ano. O novo contexto, porém, exige cautela e monitoramento constante dos desdobramentos externos.
No câmbio, o mercado revisou para baixo as projeções para o dólar. Agora, espera-se que a moeda americana encerre 2026 cotada a R$ 5,37, suba levemente para R$ 5,40 em 2027 e alcance R$ 5,46 em 2028. Essas estimativas são menos pessimistas do que as da semana anterior, refletindo uma percepção de menor pressão cambial no médio prazo.
Já as projeções para o crescimento do PIB brasileiro permanecem estáveis, com expectativa de avanço de 1,85% em 2026, 1,80% em 2027 e retomada do ritmo de 2% ao ano em 2028 e 2029. O cenário sugere uma economia em recuperação gradual, mas ainda dependente de fatores externos e da condução da política monetária.
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