Alta desacelera com queda nos alimentos e juros em 15%, cenário para cortes em 2026
Inflação oficial encerra 2025 com alta de 4,26%
A inflação oficial brasileira encerrou 2025 com alta de 4,26%, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (9). O resultado, o menor desde 2018, ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma elevação de 4,31% para o ano, segundo o Boletim Focus. O índice também permaneceu dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% ao ano, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Contexto e trajetória da inflação
Após superar a meta em 2024 e no início de 2025, a inflação brasileira desacelerou nos últimos meses do ano passado. Esse movimento foi impulsionado principalmente pela queda nos preços dos alimentos e pela manutenção da taxa Selic (SELIC) em patamar elevado, atualmente em 15% ao ano desde junho. O Banco Central adotou uma postura firme para conter a alta dos preços, o que exigiu explicações públicas do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, quando a inflação ultrapassou o teto da meta.
Impacto dos juros e expectativas para 2026
O mercado financeiro agora observa atentamente os próximos passos do Copom. Apesar do recuo recente da inflação, a maioria dos analistas acredita que a taxa Selic (SELIC) deve permanecer em 15% na próxima reunião, prevista para o final de janeiro, com possibilidade de início dos cortes apenas em março. A expectativa é que os juros possam chegar a 12,25% até o fim de 2026, mas o discurso cauteloso do Banco Central mantém dúvidas sobre o ritmo desse processo.
Principais pressões inflacionárias em 2025
Segundo o IBGE, o grupo habitação exerceu a maior pressão sobre o índice em 2025, puxado pelo aumento de 12,31% na energia elétrica residencial, além das altas no aluguel (6,06%) e condomínio (5,14%). Outros grupos que contribuíram para a inflação foram educação, despesas pessoais, saúde e transportes, este último impactado pelo salto de 56,08% no transporte por aplicativo e de 1,85% na gasolina.
Por outro lado, o grupo alimentação e bebidas desacelerou de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025, reflexo da queda nos preços de itens essenciais como arroz (-26,56%) e leite longa vida (-12,87%). Apesar disso, produtos como café moído (35,65%) e pão francês (5,86%) registraram altas expressivas.
Desempenho mensal e dinâmica de dezembro
Em dezembro, a inflação avançou 0,33%, acelerando em relação aos meses anteriores, mas ainda dentro do esperado pelo mercado. O mês foi marcado por pressões nos preços do transporte por aplicativo (13,79%) e passagens aéreas (12,61%), enquanto a alimentação no domicílio voltou a subir após seis meses de queda. Já as despesas com habitação recuaram 0,33%, beneficiadas pela mudança da bandeira tarifária de energia elétrica.
Análise e perspectivas
O comportamento da inflação em 2025 reforça a importância do monitoramento constante dos principais grupos de consumo e da política monetária. O cenário para 2026 dependerá do ritmo de cortes na Selic (SELIC) e da evolução dos preços administrados, especialmente energia e combustíveis, além do comportamento dos alimentos.
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