Negociações com a União Europeia são postergadas, enquanto Mercosul intensifica acordos globais para diversificar mercados
O impasse nas negociações entre Mercosul e União Europeia: desafios e novas oportunidades para o bloco sul-americano
O aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que há mais de 25 anos mobiliza expectativas e negociações, sofreu novo adiamento após resistência de alguns dos principais países europeus. Parlamentares e chefes de Estado, especialmente da França e da Itália, solicitaram mais tempo para analisar pontos sensíveis do texto, adiando a assinatura para, no mínimo, janeiro do próximo ano.
Esse revés foi recebido com frustração pelas delegações do Brasil e dos demais países do Mercosul, que veem no tratado uma oportunidade estratégica para ampliar mercados e fortalecer laços econômicos com a Europa. Nos bastidores, cresce a percepção de que o bloco sul-americano deve intensificar esforços para avançar em outros acordos comerciais em andamento, diversificando parcerias e reduzindo a dependência de um único tratado.
Diversificação de acordos: uma estratégia necessária
Atualmente, o Mercosul tem 11 acordos em diferentes estágios de negociação, abrangendo países e blocos de relevância global. O tratado com os Emirados Árabes Unidos é apontado como o mais próximo de ser concluído, com expectativa de assinatura nas próximas semanas. O Paraguai lidera as discussões desse acordo, enquanto o Uruguai conduz as tratativas com a Coreia do Sul, previstas para avançar até 2026. O Brasil, por sua vez, retomou conversas com o Canadá, buscando um pacto que envolva todo o bloco sul-americano.
Vale lembrar que, em 2023, o Mercosul já firmou um acordo com o EFTA — grupo europeu formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein —, além de parcerias recentes com Panamá e Singapura, que ampliaram a presença do bloco em mercados estratégicos.
Panorama das negociações globais
A lista de países e blocos com acordos vigentes, em negociação ou em fase de internalização com o Mercosul é extensa e diversificada. Na América Latina e Caribe, destacam-se Equador, Colômbia e Panamá, já com tratados em vigor. No eixo Europa-América do Norte, além do EFTA, negociações avançam com Canadá, Reino Unido e a própria União Europeia. No Oriente Médio, Ásia e África, Emirados Árabes Unidos, Japão, Singapura, Egito, China, Indonésia, Malásia, Vietnã, Coreia do Sul e Índia figuram como potenciais ou atuais parceiros.
O futuro do acordo Mercosul-União Europeia
Apesar do adiamento, o acordo Mercosul-UE segue em tramitação, agora sob avaliação detalhada dos países europeus. A pressão mais significativa parte da França, que exige salvaguardas adicionais para seus agricultores. O presidente Emmanuel Macron foi enfático ao afirmar que, nas condições atuais, o tratado não pode ser assinado. A Itália também manifestou preocupações, condicionando sua adesão a respostas concretas para o setor agrícola, dependentes de decisões da Comissão Europeia.
Análise e perspectivas
O cenário revela que, embora o acordo com a União Europeia seja estratégico, o Mercosul demonstra maturidade ao buscar alternativas e fortalecer sua rede de parcerias globais. A diversificação de acordos pode mitigar riscos e ampliar oportunidades para exportadores e investidores do bloco, especialmente diante de um ambiente internacional cada vez mais volátil e competitivo.
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