Investidores internacionais impulsionam mercado brasileiro; Cogna lidera ganhos com valorização acima de 20%
Mercado financeiro brasileiro encerra semana com performance histórica
O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com uma performance histórica, impulsionada por um expressivo fluxo de capital estrangeiro e uma reconfiguração global dos portfólios de investimento. O Ibovespa (IBOV), principal índice da Bolsa brasileira, acumulou uma alta de 8,53% entre os dias 19 e 23 de janeiro, encerrando a sexta-feira próximo dos 178,8 mil pontos. O índice chegou a superar, pela primeira vez, a marca dos 180 mil pontos no intradia, avançando mais de 14 mil pontos em apenas cinco pregões – um feito que reforça o novo protagonismo do Brasil no radar dos investidores internacionais.
Esse movimento de alta foi alimentado pelo fenômeno conhecido como Sell America, que representa a saída de recursos dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes. Dados da B3 revelam que, até o dia 21 de janeiro, investidores estrangeiros já haviam aportado cerca de R$ 12,3 bilhões na Bolsa brasileira apenas neste mês, valor que corresponde a quase metade de todo o fluxo registrado ao longo de 2025. Esse apetite renovado por risco sinaliza uma mudança relevante na percepção sobre o potencial do mercado brasileiro.
No câmbio, o dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,28, com alta acumulada de 1,61% frente ao real. O movimento reflete tanto o fortalecimento da moeda americana no exterior quanto ajustes técnicos após semanas de volatilidade, mostrando que o ambiente global ainda inspira cautela.
No noticiário doméstico, o caso Master seguiu no centro das atenções. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, enquanto a Polícia Federal avançou nas investigações envolvendo autoridades do Rioprevidência. O episódio trouxe questionamentos sobre a solidez do sistema financeiro e o papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que pode receber novos aportes para reforçar sua capacidade de resposta.
No campo político, a pesquisa AtlasIntel apontou liderança confortável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos cenários de primeiro e segundo turno, enquanto a arrecadação federal atingiu R$ 2,887 trilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1995. Esses dados reforçam a percepção de melhora fiscal no curto prazo, um fator que contribui para o otimismo dos mercados.
No exterior, o clima foi de cautela, mas com sinais de alívio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizou o discurso sobre disputas internacionais, enquanto o mercado especula sobre a sucessão no comando do Federal Reserve – um tema central para a dinâmica global de juros e fluxos de capitais.
Entre as ações, o destaque absoluto foi a Cogna (COGN3), que liderou os ganhos do Ibovespa com valorização superior a 20%. A empresa foi impulsionada por revisões positivas de analistas, incluindo recomendações de compra e revisão de preço-alvo por grandes bancos. Outras companhias, como C&A Modas, Braskem, Telefônica Brasil, Banco do Brasil e Cyrela, também apresentaram desempenhos expressivos, refletindo uma recuperação ampla em diversos setores. Por outro lado, apenas RD Saúde e Raízen registraram quedas, ambas atribuídas a ajustes técnicos após fortes altas recentes.
O saldo da semana foi de otimismo raro, com elevada liquidez e uma percepção clara de que o Brasil voltou a ser visto como alternativa relevante em um cenário global mais incerto. Para investidores atentos às oportunidades, o momento exige análise criteriosa e acompanhamento próximo dos movimentos do mercado.
Para quem deseja aprofundar a análise dos ativos que mais se destacaram na semana, a ferramenta de Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada das maiores altas e baixas, facilitando a identificação de tendências e oportunidades no mercado brasileiro.