Vale se destaca com alta, Petrobras oscila e MBRF cai; cenário marcado por juros altos e volatilidade
O início de dezembro trouxe ajustes relevantes para o mercado financeiro brasileiro, com o Ibovespa (IBOV) registrando uma leve queda de 0,29%, aos 158.611,01 pontos, após ter alcançado um recorde nominal na sessão anterior. Esse movimento reflete uma realização de lucros natural, especialmente após o índice ter encerrado novembro em máxima histórica. O cenário, porém, é marcado por cautela, tanto no ambiente doméstico quanto internacional, o que reforça a necessidade de análise criteriosa por parte dos investidores.
Dólar em alta e aversão ao risco
No câmbio, o dólar à vista avançou 0,46%, sendo negociado a R$ 5,35. O movimento foi impulsionado por uma combinação de maior aversão ao risco no exterior e incertezas internas, principalmente em relação à condução da política monetária brasileira. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reiterou que a taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano enquanto não houver sinais claros de convergência da inflação para a meta. Em evento realizado em São Paulo, Galípolo reforçou que a política monetária seguirá restritiva, sem perspectivas de mudanças na próxima reunião do Copom, marcada para o dia 10.
Impacto nos principais ativos
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Vale (VALE3) se destacou positivamente, com alta superior a 1%, sustentada pela valorização do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian subiu 1,14%, atingindo US$ 113,21 por tonelada, o que favoreceu o desempenho da mineradora brasileira. Já a Petrobras (PETR4) oscilou entre leves altas e quedas, encerrando o pregão em baixa. A estatal anunciou a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em parceria com o Porto de Suape, além de reajustar o preço do querosene de aviação em 3,8% neste início de mês.
No lado negativo, a MBRF (MBRF3) liderou as perdas do índice, com queda próxima de 8%, pressionada por rebalanços de carteira. Em contrapartida, Eneva (ENEV3) avançou mais de 3%, impulsionada por recomendações positivas de grandes bancos, que elevaram a ação à condição de destaque para dezembro.
Cenário internacional: cautela e ajustes
No exterior, os mercados dos Estados Unidos fecharam em baixa, refletindo a expectativa pelo discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, mesmo com o início do período de silêncio da instituição. Investidores acompanham atentamente possíveis sinais de início do afrouxamento monetário na próxima reunião do FOMC, agendada para os dias 9 e 10 de dezembro. Os principais índices de Wall Street recuaram: Dow Jones caiu 0,90%, S&P 500 recuou 0,53% e Nasdaq perdeu 0,38%.
Na Europa, o ajuste também foi de baixa, com o Stoxx 600 recuando 0,20%, pressionado principalmente pela queda das ações da Airbus após relatos de falhas na frota A320. Na Ásia, o movimento foi misto: o Nikkei, no Japão, caiu 1,89% diante da possibilidade de aumento de juros pelo Banco do Japão, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,67%.
Análise e perspectivas
O início de dezembro reforça o ambiente de volatilidade e seletividade no mercado de ações, com investidores atentos tanto ao cenário macroeconômico global quanto às sinalizações da política monetária doméstica. A manutenção dos juros em patamar elevado e a cautela internacional sugerem que o investidor deve adotar uma postura ainda mais analítica na escolha de ativos.
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