Projeção depende de governo fiscalmente responsável e ambiente internacional favorável
Ibovespa pode triplicar com cenário fiscal favorável após eleições de 2026, avalia ASA
O Ibovespa (IBOV) pode triplicar e atingir a marca histórica de 300 mil pontos, mas esse salto depende diretamente do resultado das eleições presidenciais de 2026. Essa é a análise de Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, que destacou o cenário em coletiva de imprensa nesta terça-feira (14). Segundo o gestor, essa projeção não é o cenário-base, mas uma possibilidade concreta caso o país eleja um governo comprometido com a responsabilidade fiscal. "Se elegermos um candidato fiscalmente responsável, o cenário de Bolsa aos 300 mil pontos permanece atual", afirmou Freitas. No entanto, ele ressalta que esse movimento não seria imediato: a valorização do Ibovespa levaria entre 12 e 18 meses e dependeria também de um ambiente internacional favorável.
O segundo semestre de 2024 promete ser dominado pelo debate fiscal e eleitoral. O ASA avalia que o centro de gravidade dos mercados brasileiros está migrando: se o cenário internacional foi o principal motor dos ativos até agora, as discussões sobre responsabilidade fiscal e as eleições devem ganhar protagonismo nos próximos meses. "O brasileiro vai discutir qual Estado quer para os próximos quatro anos: um Estado maior, com aumento da carga tributária e maior participação do setor público, ou um crescimento menor do Estado", pontua Freitas.
Outro ponto de destaque é a resiliência da economia brasileira, que segue crescendo mesmo com a Selic (SELIC) em patamares elevados. Para Freitas, o volume expressivo de gastos públicos reduz a eficácia da política monetária, obrigando o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo do que seria necessário em um ambiente fiscal mais equilibrado.
A trajetória da dívida pública é vista como um dos principais riscos estruturais para o país. Atualmente, a dívida bruta está próxima de 83,5% do PIB e, se as condições atuais persistirem, pode chegar a 100% do PIB em quatro anos — um patamar considerado insustentável para o equilíbrio econômico brasileiro.
Freitas também analisou o impacto das eleições sobre os mercados. Um candidato percebido como fiscalmente responsável tende a impulsionar a valorização da Bolsa, a queda dos juros, a apreciação do real e o desempenho dos ativos de risco. Por outro lado, um vencedor visto como menos comprometido com o equilíbrio das contas públicas pode favorecer o dólar e pressionar negativamente os ativos brasileiros. O gestor acredita que a disputa presidencial permanecerá indefinida até as últimas semanas de campanha, com cerca de 3% do eleitorado — os chamados swing voters — decidindo seu voto apenas próximo ao pleito.
Para quem deseja acompanhar de perto o desempenho do Ibovespa e entender como fatores políticos e fiscais influenciam o mercado, a ferramenta de Histórico PL Ibovespa da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada da evolução do índice ao longo do tempo, facilitando análises fundamentadas para investidores atentos.