Mercado reage à possível desistência de Flávio Bolsonaro e aguarda decisões de juros no Brasil e EUA
A semana começa com o mercado financeiro brasileiro em clima de cautela, após o forte recuo registrado na última sexta-feira.
O Ibovespa (IBOV) , principal índice da bolsa de valores, abriu em alta de cerca de 1% nas primeiras horas do pregão, buscando recuperar parte das perdas que levaram o índice a cair 4,31% no fechamento anterior. O movimento reflete uma tentativa de retomada dos 159 mil pontos, enquanto o dólar opera em baixa, devolvendo parte dos ganhos recentes e sendo cotado a R$ 5,39, com queda de 0,72%.
Contexto político e impacto no mercado
O cenário político segue no centro das atenções dos investidores. A recente sinalização do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que pode desistir da candidatura à presidência em 2026 trouxe volatilidade ao mercado. Na sexta-feira, o anúncio de que Flávio seria o candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro surpreendeu agentes políticos e investidores, provocando a maior queda do Ibovespa desde 2021 e uma disparada do dólar. O mercado, que esperava o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como principal nome da direita, avaliou que uma disputa entre Flávio e o atual presidente Lula (PT) aumentaria as chances de reeleição do petista, o que gerou incertezas e aversão ao risco.
No domingo, Flávio Bolsonaro admitiu publicamente que pode não concorrer ao Planalto, condicionando sua desistência a negociações com líderes partidários. O desdobramento dessas conversas é aguardado com atenção, pois pode redefinir as expectativas para o cenário eleitoral e, consequentemente, para o comportamento dos ativos brasileiros.
Expectativas para a Super Quarta e política monetária
Além do ambiente político, o mercado volta suas atenções para a chamada Super Quarta, quando serão anunciadas decisões de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic (SELIC) em 15% ao ano, mas investidores buscam sinais sobre o início de um possível ciclo de cortes, que pode começar apenas em março de 2026. O Boletim Focus desta semana já refletiu esse clima de incerteza, com a projeção da taxa Selic para o final de 2026 sendo elevada de 12% para 12,25%.
No cenário internacional, o Federal Reserve deve anunciar um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, embora a decisão não deva ser unânime. Esse contexto contribui para a abertura mista das bolsas nos Estados Unidos, com investidores globais atentos aos próximos passos da política monetária.
Análise e perspectivas
O início da semana mostra um mercado ainda sensível a ruídos políticos e à expectativa por definições na política monetária. A volatilidade deve permanecer elevada até que haja maior clareza sobre o cenário eleitoral de 2026 e sobre o ritmo de cortes de juros no Brasil e nos EUA. Para o investidor, o momento exige atenção redobrada à gestão de risco e ao acompanhamento dos desdobramentos políticos e econômicos.
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