Mercado reage a dúvidas sobre juros no Brasil e exterior, com commodities em alta e varejo em baixa
O Ibovespa iniciou dezembro sob pressão, refletindo o aumento das incertezas sobre o cenário de juros tanto no Brasil quanto no exterior.
O principal índice da bolsa brasileira chegou a recuar 0,66% pela manhã, tocando os 158 mil pontos, mas conseguiu amenizar as perdas ao longo do pregão, mantendo-se ainda no campo negativo. O movimento ocorre após um mês de recordes para o Ibovespa (IBOV), e valorização do real, evidenciando a volatilidade que domina os mercados diante do ambiente global incerto.
Dólar em alta e fuga para mercados desenvolvidos
Enquanto o Ibovespa recuava, o dólar avançava e atingia R$ 5,35 na máxima do dia. O fluxo de recursos para países desenvolvidos se intensificou, impulsionado por sinais de que os juros podem subir no Japão e pela cautela em relação à política monetária dos Estados Unidos. O diretor do Banco Central do Japão, Kazuo Ueda, indicou a possibilidade de elevação dos juros ainda em dezembro, o que elevou as taxas dos títulos japoneses e americanos, aumentando a aversão ao risco em mercados emergentes.
Nos Estados Unidos, investidores aguardam a próxima reunião do Federal Reserve, com expectativa de que os juros possam começar a cair. No entanto, a incerteza persiste, especialmente após declarações do ex-presidente Donald Trump sobre a futura indicação para o comando do Fed, o que adiciona mais um elemento de volatilidade ao cenário internacional.
Cenário doméstico: juros, inflação e política
No Brasil, as dúvidas sobre o ritmo de queda da Selic (SELIC) seguem no radar. O mercado projeta início do ciclo de cortes em janeiro ou março de 2026, com a taxa básica podendo chegar a 12% ao final do próximo ano. Entretanto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a necessidade de cautela, destacando que a convergência da inflação à meta ocorre de forma lenta. Soma-se a isso o anúncio do presidente Lula sobre a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, medida que pode injetar R$ 28 bilhões na economia em 2026 e gerar preocupações adicionais sobre a trajetória inflacionária.
Ações: commodities em alta, varejo em baixa
O ambiente de incerteza penaliza a maioria das ações do Ibovespa, com destaque para quedas em empresas do varejo como Assaí (ASAI3) e Vivara (VIVA3), que recuam mais de 1%. Por outro lado, papéis ligados a commodities, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), apresentam desempenho positivo, beneficiados pelo cenário externo e pela demanda global por matérias-primas.
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