Setores de proteínas, petróleo e mineração sofrem com decisões externas; dólar cai e varejo se destaca
Ibovespa inicia 2026 com cautela diante de cenário externo
O Ibovespa (IBOV) iniciou 2026 sob o signo da cautela, refletindo o impacto direto do cenário externo, especialmente das decisões vindas da Ásia. Em um pregão marcado por baixa liquidez, típica do retorno pós-feriado de Ano Novo, o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,36%, encerrando o dia aos 160.538,69 pontos. O movimento, embora discreto, sinaliza uma mudança de humor em relação ao fechamento exuberante de 2025, quando o Ibovespa acumulou mais de 30% de valorização.
O fator determinante para a queda foi a decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem as cotas estabelecidas. A medida atingiu em cheio o setor de proteínas brasileiro, com destaque para a Minerva, que liderou as perdas do dia ao registrar queda superior a 6%. O anúncio chinês caiu como uma bomba sobre o mercado, evidenciando a dependência do Brasil em relação ao gigante asiático e a vulnerabilidade do setor diante de mudanças abruptas na política comercial internacional.
Além do impacto sobre os frigoríficos, os grandes nomes do Ibovespa também sentiram o peso do ambiente global. Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) operaram em queda, acompanhando a desvalorização das commodities. O petróleo Brent recuou para US$ 60,75, pressionado por expectativas de oferta abundante, enquanto o minério de ferro caiu 0,57% na bolsa de Dalian, refletindo a cautela sobre a demanda industrial chinesa no início do ano.
Apesar do ambiente desafiador, o dólar à vista seguiu em trajetória de desvalorização, fechando em R$ 5,42 após recuar 1,16%. Esse movimento, aliado ao alívio na curva de juros futuros, trouxe algum respiro para as ações cíclicas, especialmente nos setores de varejo e consumo. O GPA se destacou positivamente, impulsionado pelo aumento de participação da Bonsucex, que agora detém mais de 10% do grupo.
Outro ponto de atenção foi a SLC Agrícola, cujas ações passaram a ser negociadas "ex-direito" à bonificação aprovada recentemente. Mesmo com o ajuste técnico, a companhia demonstrou resiliência, sustentada pelo robusto aumento de capital de R$ 914,2 milhões, reforçando a confiança dos investidores no agronegócio brasileiro para o novo ciclo.
No cenário internacional, Wall Street operou de forma mista, com o mercado atento à sucessão no comando do Federal Reserve. Com o fim do mandato de Jerome Powell se aproximando, nomes como Kevin Hassett e Christopher Waller ganham destaque nas apostas do mercado. A expectativa de uma postura mais flexível do novo presidente do Fed trouxe ânimo extra para as gigantes de tecnologia, como Nvidia e Apple.
Para os próximos dias, o investidor deve manter o foco na divulgação do IPCA (IPCA) de dezembro, que será fundamental para as decisões do Banco Central sobre o ritmo de cortes da Selic (SELIC) em 2026. Além disso, a inspeção do TCU sobre a liquidação do Banco Master permanece no radar, podendo influenciar o setor financeiro e as movimentações corporativas.
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