Conflitos geopolíticos elevam preço do petróleo e impactam ações de óleo e gás, enquanto setores sensíveis sofrem quedas
Em uma semana marcada por intensos movimentos geopolíticos, o Ibovespa registrou uma queda expressiva de 5%, seu pior desempenho semanal em quase quatro anos.
O cenário foi fortemente influenciado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio, que impactou não apenas o mercado brasileiro, mas também reverberou em ativos globais, como dólar e petróleo.
Contexto internacional e impacto nos mercados
A tensão crescente na região do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de petróleo, elevou o preço do barril Brent em 27% e do WTI em 35% na semana. Esse movimento pressionou o dólar, que voltou a ser negociado acima dos R$ 5,20, chegando a tocar R$ 5,34 na máxima semanal. O petróleo, por sua vez, ultrapassou novamente a marca dos US$ 90 o barril, reacendendo preocupações inflacionárias e alterando as expectativas para diversos setores da economia.
Setor de óleo e gás em destaque
Apesar do tombo generalizado do Ibovespa, as ações ligadas ao setor de óleo e gás se destacaram positivamente. O maior ganho ficou com a Braskem (BRKM5), que disparou 35,1% na semana. O avanço foi impulsionado tanto pela perspectiva de restrições na oferta global de petroquímicos, devido ao conflito, quanto pela aprovação da venda do controle da companhia para a IG4 Capital pelo Cade. Outras empresas do setor, como Prio, Petrobras, Ultrapar e Vibra, também fecharam a semana no azul, beneficiadas pela valorização do petróleo.
Ações que mais subiram
Além da Braskem, Prio (3,7%), Brava (2,9%), Petrobras (2,4%), Ultrapar (2,0%), Magazine Luiza (1,5%), PetroReconcavo (1,1%) e Vibra (0,9%) figuraram entre as maiores altas do Ibovespa. O movimento reflete a resiliência de setores ligados a commodities e energia em momentos de instabilidade internacional.
Pressão sobre juros e setores sensíveis
Por outro lado, a disparada do petróleo trouxe de volta o temor de uma inflação mais persistente, o que pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Banco Central. Antes do agravamento do conflito, o mercado apostava em uma redução da Selic (SELIC) de 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom. Agora, cresce a expectativa de um corte mais tímido, de apenas 0,25 ponto, diante do risco de repasse dos custos de combustíveis e frete para toda a cadeia produtiva.
Setores mais penalizados
A incerteza penalizou especialmente empresas sensíveis ao ciclo de juros, como varejistas e frigoríficos. O Oriente Médio é um importante destino das exportações brasileiras de carne e frango, e a instabilidade na região pode afetar o fluxo comercial. A Vale, com ativos estratégicos no Oriente Médio, também sentiu os efeitos do conflito. No entanto, o maior destaque negativo ficou para a Raízen, que caiu 15,4% após admitir a possibilidade de pedir recuperação extrajudicial, mesmo após aporte bilionário dos controladores. Cosan, Embraer, Localiza, Minerva, Assaí e Vale completam a lista das maiores quedas da semana.
Análise e perspectivas
O cenário permanece volátil, com investidores atentos ao desenrolar dos conflitos e seus desdobramentos sobre inflação, juros e fluxo de commodities. A performance diferenciada de setores ligados ao petróleo reforça a importância da diversificação e do acompanhamento atento dos fundamentos de cada empresa.
Para quem deseja monitorar de perto o desempenho das principais ações do mercado, o Ranking de Ativos da AUVP Analítica oferece uma visão detalhada dos maiores ganhos e perdas semanais, facilitando a identificação de oportunidades e riscos em tempo real.