Mercado reage a corte de juros, alta da dívida pública e tensão internacional, com Petrobras em alta
Ibovespa fecha em queda após três dias de estabilidade
O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quinta-feira em queda de 1,23%, aos 175.546,36 pontos, refletindo um movimento de correção após três pregões de estabilidade. O principal índice da bolsa brasileira perdeu 2.179,81 pontos, em um dia marcado por incertezas no cenário doméstico e internacional. O dólar comercial recuou 0,41%, cotado a R$ 5,107, enquanto os juros futuros subiram, evidenciando o clima de cautela entre investidores.
Copom reduz Selic, mas adota tom cauteloso
O grande catalisador do dia foi o comunicado do Copom, divulgado na noite anterior. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic (SELIC) em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14% ao ano, mas optou por não sinalizar os próximos passos do ciclo de cortes. Essa postura mais cautelosa deixou o mercado em compasso de espera, já que o Brasil passou a ocupar a posição de segundo maior juro real do mundo. Analistas destacam que, diante do elevado endividamento das famílias — 82% dos brasileiros estavam endividados em julho, segundo a CNC —, o ambiente segue desafiador para o consumo e para o equilíbrio fiscal.
Ministro da Fazenda comenta sobre dívida pública e juros
O tema dos juros também dominou a entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele atribuiu o avanço da dívida pública não ao aumento de gastos, mas às elevadas taxas de juros praticadas no país. Durigan ressaltou que o governo Lula promoveu um ajuste fiscal relevante, equivalente a dois pontos percentuais do PIB no déficit primário, mas reconheceu que o patamar da dívida ainda é um desafio para a sustentabilidade das contas públicas.
Cenário internacional traz volatilidade aos mercados
No cenário internacional, o ambiente também foi de tensão. Fontes do Financial Times indicaram que Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, pode apoiar uma alta de juros nos Estados Unidos já em setembro, caso os próximos dados de inflação surpreendam para cima. O mercado futuro precificava cerca de 55% de chance de elevação de 0,25 ponto percentual, segundo o CME Group. Além disso, declarações do vice-presidente americano sobre a complexidade do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo, impulsionada por incertezas no Estreito de Ormuz, adicionaram volatilidade aos mercados globais. Na Europa, porém, o otimismo prevaleceu e as bolsas fecharam em alta.
Ações em destaque: Petrobras avança, bancos e varejo recuam
Entre as ações de destaque no pregão brasileiro, a Petrobras (PETR4) foi exceção positiva, subindo 0,48% após registrar recorde de produção de diesel em julho. A companhia também se prepara para divulgar seus resultados do segundo trimestre. Por outro lado, os grandes bancos tiveram desempenho negativo: Bradesco caiu 1,94% após balanço do 2T26, Banco do Brasil recuou 3,66%, Itaú Unibanco perdeu 1,30% e Santander fechou em baixa de 0,71%. O setor varejista também sentiu o peso dos balanços trimestrais, com Magazine Luiza caindo 4,59%, Lojas Renner recuando 1,39% e Assaí despencando 3,85%. SmartFit foi destaque negativo, com queda de 7,82%, mesmo após apresentar crescimento robusto de receitas e margens operacionais, mas com pontos de atenção abaixo do Ebitda. A Vale também recuou 1,66%, apesar da alta do minério de ferro no exterior.
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