Déficit fiscal e incertezas políticas impactam mercado, enquanto petróleo e Petrobras sobem
O dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,56. O Ibovespa não conseguiu sustentar o otimismo neste penúltimo pregão do ano.
Nesta segunda-feira, o principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 0,25%, encerrando o dia aos 160.490,30 pontos.
O movimento negativo foi impulsionado pelo desempenho fraco de ações de grande peso, como Vale (VALE3) e os principais bancos, além de uma cautela vinda diretamente de Wall Street. No câmbio, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,56.
Cenário doméstico e fiscal pressionam o mercado
O ambiente doméstico contribuiu para o mau humor dos investidores. Novos dados do Tesouro Nacional revelaram um déficit primário de R$ 20,172 bilhões no Governo Central em novembro, um rombo significativamente maior do que os R$ 13,5 bilhões esperados pelo mercado. Esse resultado reforça preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país e adiciona volatilidade ao mercado de ações e ao câmbio.
Além disso, o cenário político seguiu no radar com a divulgação de uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, apontando que a desaprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece elevada, em 50,9%. Esse dado reforça o clima de incerteza e cautela entre investidores institucionais e estrangeiros.
Vale e bancos pressionam o Ibovespa
A Vale (VALE3), tradicionalmente responsável por ditar o ritmo do Ibovespa, teve um dia atípico. Apesar da valorização de 2,58% no minério de ferro na China, os papéis da mineradora recuaram quase 2%. A ação foi a mais negociada da B3, movimentando mais de R$ 1 bilhão, o que evidencia o peso da companhia no índice e o impacto de movimentos de realização de lucros.
No setor bancário, o clima também foi de retração, com o mercado monitorando riscos institucionais ligados ao Banco Central e decisões do STF. O ambiente de incerteza regulatória e institucional segue como um dos principais fatores de pressão sobre as ações dos grandes bancos.
Na contramão, a Brava Energia liderou os ganhos com um salto de aproximadamente 4%, impulsionada pela valorização do petróleo. O contrato Brent subiu 2,07%, fechando em US$ 61,49 o barril, refletindo tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Venezuela. A Petrobras (PETR4) acompanhou a alta da commodity e subiu 1%, mesmo após informar a interrupção temporária na plataforma P-69 por procedimentos de segurança.
Mercado internacional e expectativas para o Federal Reserve
O desânimo também veio do exterior. Em Nova York, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda, em um movimento de realização de lucros após recordes recentes. Os investidores americanos seguem cautelosos à espera da ata da última reunião do FOMC, que pode trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos. No início do mês, o Federal Reserve cortou as taxas em 0,25 ponto percentual, situando-as na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Para fechar os indicadores econômicos do dia, o IGP-M apresentou variação negativa de 0,01% em dezembro. Com esse resultado, o índice, conhecido como a "inflação do aluguel", encerra o ano de 2025 com uma deflação acumulada de 1,05%, trazendo alívio para contratos indexados a esse indicador.
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