Revisão contábil e governança são foco após ajuste de R$ 1,1 bilhão impactar balanço e confiança do mercado
Contexto e impacto do erro contábil
As ações do Grupo Mateus (GMAT3) registram queda expressiva de mais de 20% nos últimos cinco pregões, refletindo a forte reação do mercado após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025. O episódio ganhou contornos ainda mais delicados quando a companhia revelou um erro bilionário na avaliação de seus estoques, acendendo o alerta sobre a governança corporativa e a transparência das informações financeiras.
Contexto e impacto do erro contábil
O balanço patrimonial do Grupo Mateus, divulgado em novembro, apontou que os estoques estavam superestimados em R$ 1,1 bilhão. O ajuste reduziu o valor de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões, impactando diretamente o patrimônio líquido, que também foi revisado para baixo em R$ 695 milhões, chegando a R$ 9,1 bilhões em 2024. Esse movimento não apenas comprometeu a confiança dos investidores, mas também levantou questionamentos sobre os controles internos e a robustez dos processos contábeis da empresa.
Revisão de políticas e resposta da companhia
Em resposta à crise, o Grupo Mateus anunciou uma revisão completa de sua política contábil para apuração de estoques e custos das mercadorias vendidas. A empresa afirma que as mudanças trarão maior rastreabilidade, padronização de critérios tributários e aprimoramento da governança da informação. O objetivo é integrar as áreas internas e reduzir o risco de inconsistências, especialmente diante da complexidade tributária e operacional do grupo, que atua em múltiplos estados do Nordeste e em diferentes formatos de varejo e atacado.
Apesar das medidas anunciadas, o mercado manteve postura cautelosa. As ações da companhia caíram 11% logo após a divulgação do balanço e seguiram em trajetória descendente, acumulando perdas superiores a 20%. O episódio evidencia como falhas na transparência e na governança podem rapidamente corroer o valor de mercado e a credibilidade de uma empresa listada.
Esclarecimentos adicionais e perspectivas
Em novo comunicado, o Grupo Mateus buscou afastar dúvidas sobre a solidez de seus controles internos, atribuindo o ajuste à evolução dos processos de back office e destacando que não houve impacto sobre o caixa ou descumprimento de cláusulas de empréstimos. A companhia reforçou que o patrimônio líquido permaneceu estável entre o segundo e o terceiro trimestre, mesmo após o ajuste, e classificou os efeitos como "limitados" para os negócios.
Análise e projeção
O caso do Grupo Mateus serve de alerta para investidores atentos à governança e à qualidade das informações financeiras. Em um ambiente de alta competitividade e margens pressionadas no varejo, a confiança do mercado é um ativo fundamental. A capacidade da empresa de implementar controles mais rigorosos e recuperar a credibilidade será determinante para a retomada de valor de suas ações.
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