Medidas visam reduzir custos bilionários e oferecer suporte em saúde mental a apostadores
O impacto das apostas online no Brasil: custos bilionários e resposta do governo
O avanço das apostas online, conhecidas como bets, tem gerado um alerta crescente no Brasil. Segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), o país arca com um custo anual de R$ 38,8 bilhões devido aos efeitos negativos dessas plataformas, sendo que quase 80% desse valor está relacionado a problemas de saúde mental. O fenômeno, que movimenta cifras expressivas, também tem provocado danos profundos à saúde financeira e emocional de milhares de brasileiros.
Medidas do governo para conter o vício em apostas
Diante desse cenário preocupante, o governo federal anunciou nesta quarta-feira (3) uma série de medidas para tentar frear o avanço do vício em jogos e apostas online. O principal destaque é a criação da Plataforma de Autoexclusão, que estará disponível a partir de 10 de dezembro. A iniciativa permitirá que apostadores solicitem o bloqueio do próprio acesso a todos os sites de apostas autorizados de uma só vez, além de garantir atendimento em saúde mental quando necessário.
Como funcionará a Plataforma de Autoexclusão
A nova plataforma, acessível pelo portal gov.br com conta de nível prata ou ouro, vai além dos mecanismos já exigidos das casas de apostas. Agora, será possível que o usuário retire seu CPF de todos os cadastros de bets e bloqueie o recebimento de publicidade dessas empresas. O processo é simples: o interessado responde a duas perguntas sobre o tempo e o motivo da autoexclusão, podendo optar por períodos de 1 a 12 meses ou até mesmo por tempo indeterminado. Entre as razões aceitas estão dificuldades financeiras, perda de controle sobre o jogo, recomendação médica ou proteção de dados pessoais.
Saúde mental e prevenção: foco do novo sistema
A plataforma também oferecerá testes online para avaliar a saúde financeira e mental dos usuários, além de orientações sobre práticas de jogo responsável. Para quem já apresenta sinais de dependência, haverá indicações de onde buscar apoio na rede pública de saúde. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o objetivo é identificar comportamentos de risco e acionar equipes do SUS para oferecer acolhimento e tratamento. Só no primeiro semestre deste ano, quase duas mil pessoas procuraram o SUS por transtornos relacionados ao jogo, número que evidencia a dimensão do problema.
O custo social das apostas online
O levantamento do Ieps detalha os prejuízos causados pelas bets: R$ 17 bilhões em mortes adicionais por suicídio, R$ 10,4 bilhões em perda de qualidade de vida devido à depressão, R$ 3 bilhões em tratamentos médicos, R$ 2,1 bilhões em seguro-desemprego, R$ 4,7 bilhões em custos com encarceramento por crimes associados e R$ 1,3 bilhão em perda de moradia. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que o impacto das apostas vai além da saúde, atingindo famílias e a economia nacional, e lembrou que o governo já proibiu apostas online para beneficiários do Bolsa Família e menores de idade.
Perspectivas e desafios para o mercado de apostas
A resposta do governo sinaliza uma tentativa de equilibrar a regulação do setor com a proteção social, mas o desafio permanece grande diante do apelo das plataformas e da facilidade de acesso. Investidores e analistas acompanham de perto os desdobramentos, atentos ao impacto dessas medidas sobre o mercado e sobre o comportamento dos consumidores.
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