Corte dos EUA anula cláusula de 'third party releases' no plano da Gol, mas operações seguem estáveis
A Gol (GOLL54) enfrenta novo capítulo em sua reestruturação judicial após a Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York anular a cláusula das chamadas “third party releases” em seu plano de recuperação. Essas liberações envolvem a isenção de determinadas reivindicações de credores e stakeholders, tema sensível em processos de Chapter 11. A decisão, tomada após recurso do Office of the United States Trustee (OUST), não afeta a saída da companhia do Chapter 11, concluída em 6 de junho de 2025, segundo comunicado oficial da Gol.
Contexto e impacto da decisão judicial
A confirmação do Plano de Recuperação Judicial da Gol, homologada em maio pela Corte de Falências dos EUA, foi um marco para a companhia aérea, permitindo a conclusão de transações essenciais para sua reestruturação financeira. A anulação parcial do plano, porém, reacende discussões sobre a proteção de terceiros envolvidos e pode influenciar futuras negociações entre empresas brasileiras e credores internacionais. Apesar do revés, a Gol reforçou que suas operações e negócios seguem inalterados, e que todas as etapas previstas no plano já foram cumpridas. A companhia ainda avalia se recorrerá da decisão.
Resultados financeiros e perspectivas para 2025
O terceiro trimestre de 2025 trouxe sinais claros de recuperação para a Gol. A empresa registrou lucro líquido de R$ 248 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,42 bilhão do mesmo período do ano anterior. O Ebitda saltou para R$ 1,63 bilhão, enquanto a receita líquida atingiu R$ 5,54 bilhões, um avanço de 11,6% na comparação anual. A alavancagem financeira também apresentou melhora significativa, encerrando o trimestre em 3,2 vezes dívida líquida/Ebitda recorrente, ante 5,3 vezes há doze meses. Diante desse cenário, a Gol revisou para cima suas projeções para 2025, estimando Ebitda recorrente entre R$ 5,8 e R$ 6,1 bilhões e alavancagem projetada entre 3,4 e 3,6 vezes, abaixo da previsão anterior.
Análise e tendências para investidores
A decisão da Corte Distrital dos EUA destaca a complexidade dos processos de reestruturação internacional e reforça a importância de monitorar não apenas os resultados financeiros, mas também o ambiente regulatório e jurídico em que as empresas brasileiras estão inseridas. Para investidores, o desempenho operacional robusto da Gol e a conclusão bem-sucedida do Chapter 11 sinalizam resiliência, mas o episódio das “third party releases” serve de alerta para riscos jurídicos em reestruturações transnacionais.
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