Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander lideram esforço para recompor liquidez do Fundo Garantidor de Crédito
O sistema bancário brasileiro está prestes a enfrentar um novo desafio: a necessidade de recompor a liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após a liquidação do Banco Master e da Will Financeira. Esse movimento, que aciona o pagamento das garantias aos investidores protegidos, deve pressionar os custos das instituições financeiras, especialmente dos grandes bancos, nos próximos meses.
Contexto e impacto imediato
Segundo estimativas da Moody’s, os desembolsos recentes deixarão o FGC abaixo do índice mínimo de cobertura, que é de 2,5% dos depósitos segurados. A diferença pode chegar a R$ 55 bilhões, abrindo espaço para mecanismos automáticos de recomposição previstos no regulamento do fundo. Entre as alternativas estão a antecipação de contribuições futuras, sobretaxas temporárias e uma alíquota adicional mensal sobre os depósitos segurados. Essas medidas são proporcionais à participação de cada banco, o que significa que as maiores instituições, como Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Brasil, Caixa Econômica Federal e BTG Pactual, arcarão com a maior parte do esforço, já que concentram cerca de 75% dos depósitos elegíveis ao seguro.
Análise de risco e projeções
Apesar do volume expressivo, a Moody’s não identifica riscos sistêmicos relevantes para o sistema financeiro nacional. O impacto tende a ser diluído ao longo do tempo, mas pode afetar a rentabilidade dos bancos. Em um cenário de Selic (SELIC) elevada, uma redução de R$ 55 bilhões na liquidez pode gerar um impacto anual superior a R$ 8 bilhões na receita líquida de juros, representando cerca de 2,1% do total registrado até setembro de 2025. Para suavizar essas pressões, a expectativa é que o FGC combine antecipação de contribuições ordinárias com uma sobretaxa temporária de 50% até que a liquidez retorne ao patamar adequado.
Reflexos no mercado e ajustes regulatórios
Outro efeito possível é o aumento da aversão ao risco em relação a bancos de médio porte, embora a elevada liquidez do mercado de capitais brasileiro deva compensar parte desse movimento. O estoque de letras financeiras, que chegou a R$ 658 bilhões em setembro de 2025, mostra a força dos grandes bancos na captação de recursos. Além disso, um ritmo mais moderado de concessão de crédito pode reduzir a necessidade de captação adicional, especialmente em um cenário de menor confiança empresarial e crescimento econômico mais fraco.
O Banco Central e o FGC também estão revisando a metodologia para definir os limites do seguro de depósitos e o tamanho do fundo, considerando a evolução dos depósitos elegíveis e o perfil de risco das instituições. Caso haja ajustes, a tendência é de prêmios de seguro mais altos, sobretudo para bancos menores, o que pode elevar os custos de captação em todo o setor.
Perspectivas e transparência
Para Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos, ainda é cedo para mensurar o impacto final do aumento das contribuições, mas a recomposição deve ser definida em breve e concluída em até 90 dias. O mercado, segundo ele, não vê o movimento como um problema relevante, prevendo apenas repasses pontuais nos custos de captação ou crédito, diluídos ao longo do tempo. Mudanças recentes aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, que ampliam o acesso do FGC a dados das instituições, devem aprimorar a avaliação de riscos e aumentar a transparência para investidores.
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