FGC enfrenta desafio histórico com pagamentos e orienta clientes do Banco Pleno a se cadastrarem para reembolso
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) está no centro das atenções do mercado financeiro após a liquidação do Banco Pleno, medida que deixou cerca de 160 mil clientes e investidores com recursos bloqueados. O FGC estima que os pagamentos de ressarcimento podem alcançar R$ 4,9 bilhões, mas o início dos reembolsos depende da consolidação da lista oficial de credores, atualmente sob responsabilidade do liquidante nomeado pelo Banco Central.
Contexto e impacto para investidores
A liquidação do Banco Pleno, antigo Indusval e posteriormente chamado de Banco Voiter, foi decretada pelo Banco Central devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e descumprimento de normas regulatórias. A instituição, que passou por diferentes controladores nos últimos anos, foi adquirida pelo conglomerado do Banco Master em 2023 e, posteriormente, vendida para Augusto Ferreira Lima, assumindo o nome Pleno. O episódio evidencia os riscos de concentração e fragilidade em determinados segmentos do sistema bancário brasileiro.
O processo de ressarcimento pelo FGC
O FGC reforça que o pagamento dos valores garantidos só ocorrerá após o recebimento e validação das informações consolidadas pelo liquidante. O histórico recente mostra que esse processo pode ser demorado: no caso do Banco Master, levou cerca de dois meses, enquanto para o Will Bank, o FGC chegou a antecipar pagamentos de até R$ 1 mil para agilizar o atendimento aos clientes de menor saldo.
Para os clientes do Banco Pleno, a orientação é realizar o cadastro no aplicativo do FGC, que será o canal oficial para solicitação do reembolso assim que a lista de credores for liberada. O ressarcimento cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos, abrangendo contas correntes, poupança e investimentos em títulos de renda fixa como CDBs e LCIs.
Desafios para o FGC e o sistema financeiro
A sequência de liquidações recentes impõe um desafio sem precedentes ao FGC. O fundo já projeta um desembolso total de quase R$ 52 bilhões apenas com os casos do Banco Master, Will Bank e agora o Banco Pleno. Esse volume representa cerca de um terço do patrimônio do FGC, que somava R$ 153,5 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2025. Para recompor o caixa e garantir a sustentabilidade do mecanismo de proteção, o FGC aprovou novas regras que envolvem a antecipação de pagamentos realizados pelos bancos ao fundo.
Análise e perspectivas
O episódio reforça a importância de o investidor monitorar a saúde financeira das instituições onde mantém seus recursos, mesmo contando com a proteção do FGC. A liquidação do Banco Pleno e seus desdobramentos evidenciam a necessidade de diversificação e acompanhamento constante do cenário bancário, especialmente em períodos de maior instabilidade.
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