FGC paga R$ 40,6 bi a 800 mil investidores do Banco Master, destacando impacto no mercado financeiro
O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) anunciou neste sábado (17) o início do pagamento aos investidores e correntistas do Banco Master, liquidado em novembro de 2025. O episódio marca um dos momentos mais emblemáticos do sistema financeiro brasileiro, tanto pelo volume de recursos envolvidos quanto pelo impacto sobre a confiança dos investidores em produtos de renda fixa.
Contexto e abrangência do reembolso
Todos os clientes que possuíam CDBs, RDBs, LCIs, LCAs ou mantinham saldo em contas do Banco Master têm direito ao reembolso garantido pelo FGC. O valor total a ser devolvido chega a R$ 40,6 bilhões, contemplando cerca de 800 mil investidores – número significativamente menor do que o estimado inicialmente após a liquidação. A redução ocorreu após a consolidação dos dados das instituições envolvidas, incluindo o Banco Master de Investimento e o Banco Letsbank, revelando que a estimativa anterior considerava informações agregadas, sem individualização dos clientes.
Como solicitar o reembolso
Diferentemente do que muitos imaginam, o reembolso do FGC não é automático. Investidores e correntistas precisam solicitar a devolução das garantias, utilizando o aplicativo do FGC (para pessoas físicas) ou o site da instituição (para pessoas jurídicas). O pagamento é realizado em até dois dias úteis após a solicitação. O FGC alerta para tentativas de fraude: não realiza contato por WhatsApp, SMS ou aplicativos de mensagens, não cobra taxas e não utiliza intermediários para pagamentos.
O maior reembolso da história do FGC
O pagamento referente à liquidação do Banco Master representa o maior reembolso já realizado pelo FGC, superando inclusive o caso do Banco Bamerindus em 1997. Mesmo após esse desembolso recorde, o fundo garante possuir R$ 125 bilhões em liquidez, assegurando robustez para enfrentar cenários de estresse no mercado financeiro.
Processo de consolidação e impacto para investidores
A consolidação da lista de credores levou dois meses, o que retardou o início dos pagamentos e gerou apreensão entre os investidores. Durante esse período, os CDBs do Master deixaram de render, reduzindo o retorno esperado por muitos aplicadores. O presidente do FGC, Daniel Lima, destacou que a complexidade operacional e a necessidade de garantir a integridade das informações exigiram esforços intensivos das equipes envolvidas.
Causas da liquidação e investigações em curso
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após constatação de dificuldades de liquidez e suspeitas de graves irregularidades. O banco vinha oferecendo CDBs com taxas muito acima do mercado, o que levantou suspeitas sobre a sustentabilidade de suas operações. Paralelamente, investigações da Polícia Federal apontaram para a emissão de títulos de crédito falsos e um esquema que teria movimentado R$ 11,5 bilhões, envolvendo fundos de investimento e dezenas de empresas. O caso é considerado pelo Ministério da Fazenda como potencialmente a maior fraude bancária da história do país.
Análise e perspectivas para o mercado
A liquidação do Banco Master e o subsequente reembolso do FGC reforçam a importância da diversificação e da análise criteriosa de risco por parte dos investidores. O episódio serve de alerta para o mercado sobre práticas agressivas de captação e a necessidade de transparência e governança nas instituições financeiras. Para quem busca avaliar a solidez de bancos e comparar alternativas de investimento em renda fixa, a ferramenta Comparador de Renda Fixa da AUVP Analítica oferece uma análise detalhada de rentabilidade, risco e garantias, auxiliando decisões mais seguras.