Crescimento de veículos elétricos e híbridos deve diminuir demanda por gasolina e etanol até 2040
O avanço dos veículos elétricos e híbridos no Brasil já começa a redesenhar o cenário do consumo de combustíveis, trazendo impactos diretos para o setor energético e para investidores atentos às tendências de mobilidade.
Segundo estudo do Citi, em 2023, cerca de 700 milhões de litros de gasolina e etanol deixaram de ser consumidos devido à adoção crescente de veículos eletrificados, o que representa 1% da demanda doméstica projetada para 2025.
Mudança estrutural no consumo de combustíveis
A análise do Citi aponta para uma transformação estrutural: mesmo com o crescimento do PIB estimado em 1,8% para 2025-2026, o consumo de combustíveis do ciclo Otto (etanol e gasolina) deve crescer a uma taxa próxima de 120% do PIB. No entanto, a partir de 2027, a tendência se inverte, e a demanda começa a recuar, mesmo em um ambiente de expansão econômica. Esse movimento sinaliza uma inflexão relevante para o setor de combustíveis, que precisará se adaptar a um novo ritmo de consumo.
Projeções para 2030 e 2040: impacto crescente
O Citi projeta que, até 2030, o volume de combustível deslocado pela eletrificação pode chegar a 5 bilhões de litros, equivalente a 8% da demanda real. Em 2040, esse percentual pode atingir 14%, ou 9 bilhões de litros. O ritmo de penetração dos eletrificados nas vendas brasileiras é o principal motor dessa mudança, com efeitos já perceptíveis no mercado.
Participação dos eletrificados nas vendas e frota
Os dados de julho mostram que os emplacamentos de veículos elétricos e híbridos ultrapassaram 56 mil unidades, quase o triplo do registrado no mesmo mês de 2025, segundo a ABVE. Com isso, a participação dos eletrificados nas vendas chegou a 21,1%. Apesar desse avanço, a presença desses veículos na frota total ainda é modesta: apenas 1,3% dos veículos leves em circulação ao final de 2025, conforme a consultoria Integrate Data Facts.
Redução de preços e domínio chinês
A queda dos preços é um dos principais fatores para o crescimento dos eletrificados. Em 2012, um veículo eletrificado custava cerca de 8,5 vezes mais que um modelo a combustão; hoje, essa diferença caiu para 1,3 vez, segundo o Citi. O mercado brasileiro também evidencia o domínio das montadoras chinesas, que responderam por 62,5% das vendas dos 15 modelos eletrificados mais vendidos em julho. Mesmo com o aumento do Imposto de Importação, a produção local e as cotas para veículos desmontados mantêm a competitividade dessas marcas.
Frotas de aplicativos aceleram a transição
A adoção de eletrificados por frotas comerciais, como táxis e veículos de aplicativos, amplifica o impacto da eletrificação. Esses veículos rodam, em média, seis vezes mais que a frota convencional, potencializando a redução do consumo de combustíveis. Além disso, a estagnação na eficiência dos motores a combustão reforça a tendência de queda no consumo de gasolina e etanol.
Desafios e oportunidades para o setor de combustíveis
Apesar da transição em curso, especialistas destacam que o setor de combustíveis líquidos ainda terá relevância nos próximos anos, dada a diversidade da frota e a infraestrutura nacional. O etanol, por exemplo, pode migrar para novos mercados, como o de combustível sustentável de aviação (SAF), caso haja excedente no setor automotivo.
Para investidores e analistas, acompanhar a evolução da eletrificação e seus impactos sobre o consumo de combustíveis é fundamental para antecipar movimentos do mercado e identificar oportunidades em setores correlatos.
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